Análise: Cruzeiro dá mais sorte do que julgamento clássico, mas mostra “casca” com Felipão | cruzeiro


O Cruzeiro voltou a comprovar na montanha-russa que tem sido por praticamente toda a Série B. Depois de vencer o líder Chapecoense, perdeu em casa para o modesto Confiança, mas voltou a mostrar força ao vencer o clássico contra o América-MG, vice- líder da competição, por 2 a 1. Vitória que mostrou força, mas também abriu amplas dificuldades.

Na situação em que a equipa se encontra na Série B e tendo em conta tudo o que envolveu a época do Cruzeiro, os resultados começam a sobressair, em termos de importância, em relação a qualquer análise de rendimento. Não adianta jogar bem, finalizar 17 vezes (contra o Confiança), 23 vezes (contra Brasil-RS) e sair de campo com uma derrota. Mas também é possível sofrer menos do que você sofreu contra a América.

Manoel comemora gol do Cruzeiro – Foto: Bruno Haddad / Cruzeiro

O Cruzeiro conseguiu o que Felipão alegou ter sofrido nos últimos jogos: um gol no início da partida. Em pênalti contestado pelo América, abriu o placar e conseguiu jogar com menos pressão, sem ter que correr atrás da derrota. O primeiro tempo foi uma marca bem ajustada no ataque do América, o que praticamente não incomodou Fábio. O Cruzeiro não conseguiu segurar a bola na frente. A bola acertou o ataque e voltou com posse americana.

Na segunda, o Cruzeiro voltou para a blitz, perdeu duas chances claras, mas logo viu Manoel abrir 2 a 0. Um gol de alívio. A bola que faria o América, já perdido psicologicamente pelo árbitro, jogar de ataque e abrir espaços para o contra-ataque. Mas, Matheus Pereira cometeu uma falta boba, em um jogador recuado, que rendeu o gol de Anderson.

A América estava de volta ao jogo. E não só pela diferença mínima no placar, mas principalmente pela postura do Cruzeiro. A equipe recuou, sem conseguir escapar nos contra-ataques. Na saída, na maioria das vezes tinha Sobis ou Airton isolados na esquerda, sem possibilidade de tabelas ou fugas para o terceiro gol. A única possibilidade era com Thiago, que terminou mal.

Gols do América 1 x 2 Cruzeiro, pela Série B do Campeonato Brasileiro

Sem ser pressionado pelo meio, o América pegou os volantes, jogou com os laterais no ataque e viu o Ademir crescer. O cronograma do Cruzeiro não foi tão ajustado, e Felipão contou com a sorte para finalizar Ademir, Messias e Alê para sair de campo com a vitória. A equipa que abriu por 2-0 faltou julgamento e tinha um jogo controlado nas mãos.

A vitória mostra que o Cruzeiro levou uma bala com Felipão. A equipe aguentou pressões, venceu adversários difíceis e, em outros momentos, também teve força para buscar resultados. A motivação, uma vez ausente, parece bastante presente no vestiário.

Psicologicamente, o Cruzeiro é mais forte. Taticamente, ele melhorou, mas ainda tem onde – e precisa – crescer. Tecnicamente, estão surgindo individualidades, como Manoel, Ramon, Sobis e Airton (que tiveram uma pequena queda na renda recentemente). Com Felipão, por todo esse contexto, encerrar a luta contra a degola parece uma questão de tempo. Não lutar pelo acesso é culpa de quase todos no clube, exceto do atual treinador.