Análise: O Palmeiras de Abel Ferreira não tem um rosto definido, mas vários. E todos eles são eficazes | Palmeiras


Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, tem como um de seus princípios não definir apenas um esquema para seus times. Segundo ele, cada partida exige uma postura diferente. Até agora, funcionou. Na última quarta-feira, ainda, o Verdão atropelou Delfín e avançou na Libertadores.

Nesta quinta-feira, o português completa exatamente um mês de seu primeiro treino no Verdão. E, neste período, talvez a característica acima seja talvez a mais marcante de sua obra.

O Palmeiras de Abel Ferreira não tem rosto definido. Mas em um mês de trabalho, ele deu à equipe várias faces, que alternam com cada partida e muitas vezes até dentro delas.

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Abel Ferreira, técnico do Palmeiras na partida contra o Delfín – Foto: Marcos Ribolli

Abel já escalou o Palmeiras de várias formas: com três atacantes, dois abertos pelas laterais e um centrado; com dois atacantes; sem centroavante; com duas meias de criação; com três defensores … Houve várias alternâncias (muitas vezes por peculato).

Na vitória por 5 a 0 sobre o Delfín, o primeiro foi escolhido. E foi com velocidade pelas laterais que a equipe criou as melhores chances, principalmente com Gabriel Veron na direita.

Enquanto o adversário ainda tinha forças para lutar, foi assim que a equipe conseguiu ser perigosa: construindo pelas pontas e finalizando pelo centro.

Abel Ferreira também gosta muito de jogar com três zagueiros. Viña chegou a cumprir esse papel em alguns momentos pela esquerda, liberando Gabriel Menino para torcer pela direita. A saída de Gustavo Scarpa para Alan Empereur, no primeiro tempo, “oficializou o esquema”.

Independentemente da forma como se comporta em campo, algumas características parecem estar bem definidas sob o comando português.

Palmeiras comemoram um dos gols da goleada – Foto: Reuters

Hoje, o Palmeiras é um time com passes muito mais verticais (como o goleiro de Danilo para o primeiro gol de Gabriel Veron). São muitos mais passes objetivos que fazem a equipe atacar com intensidade.

Outra é fazer com que os meio-campistas apareçam o tempo todo no ataque. Foi assim que Patrick de Paula fez um golaço, como havia acontecido no final de semana no Brasileirão. Danilo, Zé Rafael, Gabriel Menino também aparecem com frequência para finalizar, como no belo gol marcado pelo primeiro deles na prorrogação. Ele e Patrick têm feito isso com grande regularidade e qualidade.

Também é difícil encontrar buracos na organização da equipe (e há uma evolução muito grande em relação ao que foi com Vanderlei Luxemburgo). Como disse Gabriel Veron após a partida, a equipe tem que “atacar juntos e defender juntos, independentemente do resultado”. Os jogadores assimilaram muito bem este comando.

A corrida sobre Delfín não aconteceu apenas por causa da fraqueza do adversário (8 a 1 no total). O Palmeiras fez o que precisava, com qualidade e sem deixar nenhuma chance para o rival. Não desistiu de atacar nem na hora de marcar e sempre buscou mais gols.

O trabalho de Abel Ferreira está apenas começando. Apesar de muito promissor, ainda é cedo para fazer uma análise definitiva. Mas é impossível negar a evolução nas mãos dos portugueses em um mês.

Para quem pensava que o ano já tinha sido “jogado fora”, demorou 30 dias até o treinador português reavivar a esperança dos adeptos na equipa, que está muito viva nas três competições.

No próximo sábado, às 17h, o compromisso é para o Campeonato Brasileiro. O Verdão visita o rival Santos na Vila Belmiro, pela 24ª rodada.