Após sugerir um novo AI-5, Eduardo Bolsonaro rejeita a ditadura ‘porque o poder já está em nossas mãos’

BRASÍLIA – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse nesta segunda-feira ao Conselho de Ética da Câmara que rejeita a possibilidade de uma ditadura porque “o poder já está em nossas mãos”. Ele se referia ao seu mandato no Congresso e ao papel de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro. Eduardo falou sobre o assunto ao se defender no curso de processo para apurar a quebra de decoro parlamentar. O deputado foi denunciado por sugerir um novo AI-5, ato que privou as liberdades individuais durante a ditadura militar.

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Nesta segunda-feira, o relator do processo, Igor Timo (PODE-MG), sugeriu o ajuizamento do processo, mas a sessão foi suspensa após pedido de vista.

– Já eleito Presidente da República, o menos interessado em que o país se torne uma ditadura é o próprio Presidente Jair Bolsonaro. Da mesma forma, eu, também, o deputado federal mais votado da história do país. E muitos dizem que eu deveria ser acusado, uma violação total do nosso sistema representativo. Também sou o menos interessado em ter qualquer tipo de ditadura, porque o poder já está nas nossas mãos – declarou Eduardo Bolsonaro.

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Eduardo Bolsonaro foi denunciado após dar entrevista veiculada no canal do YouTube em 2019. Na época, ele disse que o país chegaria a um momento semelhante ao “final dos anos 60”, “quando aeronaves eram sequestradas” e “eram executadas e sequestradas” grandes autoridades “.

– Se a esquerda se radicalizar a esse ponto, precisaremos ter uma resposta. E a resposta, pode ser por meio de um novo AI-5, via legislação aprovada por plebiscito, como aconteceu na Itália. Alguma resposta terá que ser dada – declarou Eduardo Bolsonaro.

Nesta segunda-feira, Eduardo também disse que não teria “poder” de baixar um novo AI-5, além de dizer que foi prejudicado pelo processo. Igor Timo não considerou o caso como uma violação do decoro parlamentar.

– Entendemos que, embora sejam devidamente demonstradas a autoria e a materialidade dos fatos declinados nas representações, a conduta descrita não constitui afronta ao decoro parlamentar, sendo verdadeiros fatos atípicos – declarou o relator, lendo o parecer.

Durante a sessão, Eduardo Bolsonaro também tentou explicar outro discurso antidemocrático que se tornou viral nas redes sociais. Aos alunos em concursos, ele indicou que bastava “um cabo e um soldado” para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF).

– Numa palestra dada a alunos em concursos, fiz uma piada, em tom de brincadeira, parafraseando o presidente Jânio Quadros, que em certa medida dizia: “Por uns segundos pensei em fechar o Congresso, e teria sido chega com um cabo e dois soldados “.

Na próxima semana, o conselho volta a se reunir para decidir se dá entrada ou não no processo, após análise do parecer do relator.

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