Avicultores brasileiros enfrentam alta dos preços dos grãos


Os avicultores brasileiros enfrentam o pior poder de compra da história devido ao grande aumento dos preços do milho (80%) e da soja (50%) neste ano.

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Universidade de São Paulo, os preços médios do milho, farelo de soja e frango vivo foram maiores neste mês do que em outubro, mas os preços dos insumos subiram mais do que os vivos os preços do frango sim.

O Brasil produziu 257,8 milhões de toneladas de grãos - um recorde histórico.  Foto: Peter Roek

O Brasil produziu 257,8 milhões de toneladas de grãos – um recorde histórico. Foto: Peter Roek

A divisão suína e avícola da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) indica o mesmo cenário. No Paraná, maior pólo de produção, o poder aquisitivo (relação entre preços de carnes e grãos) fica na proporção de 1,53, ou seja, 1,53kg de ave viva equivale a 1kg de farelo de soja. A proporção carne-milho é ainda maior, situando-se em 3,76. Até outubro deste ano, os custos com ração aumentaram 36,33%. Por isso, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) tem criticado o que chama de “especulação”, já que dados oficiais mostram que há grãos suficientes para o mercado interno e externo.

A especulação é comum, mas as consequências podem ser terríveis

O Brasil produziu um recorde de 257,9 milhões de toneladas de grãos, sendo 124,8 milhões de toneladas de soja e 102 milhões de toneladas de milho. As exportações de soja para a China atingiram novos patamares, com 81,43 milhões de toneladas exportadas de janeiro a outubro. Os produtores de soja brasileiros, no entanto, estão relutantes em vender, o que eleva os preços.

“A especulação é comum, com base em números ou fatores como as flutuações do mercado. Mas quando essa prática é incentivada, as consequências podem ser terríveis ”, alerta Ricardo Santini, presidente da ABPA.

Os altos preços do milho e do farelo de soja têm levado alguns avicultores a utilizar sorgo e milheto em suas rações, o que, segundo funcionários do Cepea, impacta a qualidade dos ovos e da carne. Juntos, esses insumos representam 70% dos custos de produção. A ABPA acredita que isso inevitavelmente se refletirá nos preços que os consumidores pagam. “Em meio a uma crise pandêmica, que já afetava economicamente a população, vamos enfrentar uma grave perda de competitividade”, acrescenta o Cepea.

Os altos preços do milho e do farelo de soja têm levado parte dos avicultores a utilizar sorgo e milheto na ração, o que, segundo colaboradores do Cepea, impacta a qualidade dos ovos e da carne. Juntos, esses insumos representam 70% dos custos de produção. Para a ABPA, isso se refletirá nos preços ao consumidor, inevitavelmente. “Em meio a crises pandêmicas, que já impactam economicamente a população, teremos uma forte perda de competitividade”, acrescenta o Cepea.