Bares e restaurantes terão que fechar até três horas antes nos fins de semana


postado em 02/12/2020 06:00


(crédito: Ed Alves / CB / DA Press)

Diante do aumento do índice de infecção pelo novo coronavírus no Distrito Federal para 1,3 R

Ibaneis afirmou que não descarta restringir atividades caso os números da pandemia saiam do controle – segundo a Secretaria de Saúde, o DF tem 230.122 infectados, dos quais 3.939 morreram em decorrência do covid-19 e 219.081 são recuperados. O governador garantiu que o GDF vai optar, primeiro, por intensificar as atividades educacionais. “Ou eles (comerciantes) saem para ajudar a conscientizar, infelizmente ou felizmente – porque eu tenho que cuidar da saúde da população -, terei que fechar o horário desses locais mais cedo e implantar restrições no número de pessoas ,” ele disse. o governador em Arniqueira, após a assinatura de um decreto que dá início à regularização da região.

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(foto: editor de ilustração)

Apesar de não falar em fechamento total, Ibaneis Rocha reavaliou o cenário da doença nas últimas semanas. No dia 18 de novembro, durante almoço com empresários da capital, o emedebista garantiu que o DF estava preparado para uma possível segunda vaga.

Para explicar o endurecimento das ações, Ibaneis destacou que, no último final de semana, as equipes da Secretaria de Proteção à Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) prenderam e multaram bares e restaurantes por não respeitarem as regras de funcionamento – 20 foram banidos. “Tivemos um número muito grande de avaliações”, disse.

De acordo com a pasta, esses estabelecimentos são os que mais desrespeitam as normas de vigilância sanitária contra a covid-19. Entre março e novembro, o DF Legal aplicou 395 multas por desobediência a medidas de saúde. Ao todo, 1.678 estabelecimentos foram interditados. Mais de 82.000 pessoas foram abordadas e 170 foram multadas por não usarem máscaras.

Repercussão

Representantes de entidades empresariais criticaram o novo decreto do governo. Para o presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Antônio da Silva, “o setor não é o principal foco de circulação do novo coronavírus. Parece que bares e restaurantes são os responsáveis ​​pela contaminação do vírus, mas outros locais são muito mais propícios à contaminação, como as áreas de lazer no lago, que estão sempre lotadas e sem controle ”, analisa. “Preparamos um protocolo de segurança que está sendo rigorosamente seguido. Tem um ou outro (estabelecimento) que não cumpre as regras, mas tem que punir essas e não todo o setor ”, pontua Jael, que articula um pedido ao governador de anulação do decreto.

Outra preocupação apontada pelo presidente do Sindhobar é que o mês de dezembro seja marcado por confraternizações de fim de ano. “Historicamente, este é o mês de maior faturamento do setor. E estamos vindo de um período em que os estabelecimentos estavam fechados há muito tempo, e agora estão se recuperando. Essa redução do horário de funcionamento terá um impacto significativo ”, destaca. “Estávamos em reunião com o secretário de Saúde e outros representantes de entidades empresariais e sindicais, quando saiu o decreto. Se foi uma decisão, por que convocar uma reunião então? ”Diz Jael.

No encontro, representantes de diversos segmentos se comprometeram a reforçar os protocolos de segurança e ajudar a promover campanhas de conscientização para a prevenção de vírus. “A questão não são os estabelecimentos, mas as pessoas que não estão seguindo as regras impostas para impedir a disseminação do covid-19”, analisa o presidente do Sindicato Federal do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), Edson de Castro .

No dia das oitavas de final da Copa Libertadores, com o Flamengo jogando, os estabelecimentos que costumam transmitir as partidas tiveram que se adaptar para seguir o novo decreto. O gerente do bar Fausto e Manoel, da Sudoeste, Afrânio Cordeiro, disse ao Correio que estava preocupado com a forma como fecharia o local a meio do jogo de ontem. “Para nós é muito complicado. No intervalo, as pessoas terão que sair. Nem sei como vou fazer ”, lamenta. Em sua opinião, a restrição de tempo não resolve o problema. “Se vai aglomerar, vai começar a aglomerar mais cedo. A pessoa não para de ir ao restaurante para isso ”, pondera. Segundo Afrânio, o bar segue todas as normas de segurança impostas pelo governo, como distância das mesas, funcionamento com 50% da capacidade e uso de máscaras.

  • O decreto de Ibaneis foi motivado pelo cenário de covid-19 no DF, em que a taxa de transmissão do vírus aumentou.  Hoje, 100 pessoas infectadas passam a doença para 130 pessoas

    O decreto de Ibaneis foi motivado pelo cenário de covid-19 no DF, em que a taxa de transmissão do vírus aumentou. Hoje, 100 pessoas infectadas passam a doença para 130 pessoas
    Foto: Ed Alves / CB / DA Press

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    Foto: Editor de ilustração

Inquérito

Hoje, o GDF inicia levantamento epidemiológico para rastrear a situação da nova pandemia de coronavírus no Distrito Federal. O monitoramento começa com Ceilândia. O plano, segundo a Secretaria de Saúde, é o controle da doença a partir do serviço de atenção básica nas unidades básicas de saúde (UBSs), com acompanhamento dos pacientes. Para isso, serão disponibilizados 150 mil testes e 600 oxímetros.

Educação em casa

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou, ontem, em segundo turno, o projeto de lei que regulamenta a educação em casa – o ensino domiciliar. A proposta recebeu 12 votos a favor e cinco contra. O texto segue para o governador Ibaneis Rocha (MDB). Proposta estabelece que a opção pela educação domiciliar é exclusiva aos pais ou responsáveis ​​pelos alunos e deve ser cadastrada na Secretaria de Educação do Distrito Federal, para fins de fiscalização. As famílias devem demonstrar aptidão técnica para o desenvolvimento de atividades educacionais ou contratar profissionais capacitados.

O respeito pelas medidas é essencial

Classificada como bem-vinda pelos infectologistas, a decisão do GDF de restringir o horário de funcionamento de bares e restaurantes não pode reduzir multidões e casos de covid-19, se a população não respeitar as medidas de segurança, acredita a médica Dalcy Albuquerque. Segundo ele, o governo local deve reforçar as fiscalizações e a população precisa estar ciente de que a pandemia ainda não acabou.

“Eu poderia até dizer que outras medidas seriam necessárias, mas na realidade, o que precisamos é que as pessoas entendam que a pandemia está aqui, hoje, tanto quanto foi em julho, junho, abril. Precisamos de conscientização e aplicação efetiva dessas medidas. Mais importante do que fechar às 23h, é monitorar o que acontece antes das 23h, caso contrário, você só vai evitar que a transmissão ocorra depois das 23h, mas já ocorreu antes ”, explica.

Segundo Albuquerque, é importante priorizar e reforçar medidas simples que acabaram ficando de fora. “As pessoas não estão respeitando as medidas preventivas, que são o uso de máscara e a distância. Nem estou falando da mesa do bar, estou falando da distância de quem está na minha frente, na rua, na fila. ”

Protocolos

Confira as principais medidas que bares e restaurantes precisam tomar para prevenir a disseminação do coronavírus

Funcionários e clientes devem usar máscaras;

Os estabelecimentos precisam disponibilizar álcool gel 70% para todos os clientes e clientes;

A temperatura dos clientes deve ser medida na entrada;

Distância de pelo menos dois metros entre pessoas;

Limpeza de cadeiras e mesas.

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