Bem-vindo ao FIFA.com News – Tamires: A popularidade do futebol feminino disparou no Brasil


  • Tamires fala sobre final do Corinthians no Brasileiro contra Avai Kindermann
  • Ela elogia o impacto que Pia Sundhage teve no Brasil
  • Corinthians-Lyon, Andressinha e The Best também estão no cardápio

Foi a noz-moscada que levou ao Gol do Torneio. O lateral esquerdo do Brasil foi encurralado. Alertas de perigo piscaram.

Tamires zombou deles e da placa de não saída, enfiou a bola entre as pernas de Matilda e passou uma bola de defesa para Debinha, que cruzou para Cristiane cabecear contra a Austrália na Copa do Mundo Feminina da FIFA França 2019 ™.

O jogador por trás dessa habilidade não é um lateral-esquerdo comum. Pia Sundhage chamou Tamires de “um zagueiro com a criatividade de um [number] dez”. Arthur Elias emprega seu camisa 37 no meio-campo para maximizar essa invenção do Corinthians.

Outra marca registrada da noz-moscada de Tamires ajudou o time que bateu recorde mundial de vitórias no ano passado a chegar à final do Brasileiro, onde empatou em 0 a 0 no jogo de ida contra o Avai Kindermann, e nas semifinais do Paulista, onde empatou 1 -0 vantagem sobre o Palmeiras.

A jovem de 33 anos, casada com o ex-jogador de futebol Cesinha e deixou de jogar por alguns anos para dar à luz e criar o filho Bernardo, conversou com o FIFA.com sobre o confronto de domingo, sua forma, como o Corinthians se sairia contra Lyon, o crescimento do futebol feminino no Brasil, A Seleção Excelente forma sob o comando de Pia Sundhage, que merece ser coroada a Melhor Jogadora da FIFA no dia 17 de dezembro.

FIFA.com: Tamires, você acabou de fazer 33 anos, mas está em ótima forma. Você acha que está no auge?

Tamires: Estou em um momento muito especial da minha carreira. Fisicamente, mentalmente e com a experiência que adquiri ao longo dos anos, acho que sim. Quando você fica mais velho, precisa estar mais consciente de como cuidar do seu corpo.

Você gosta mais de jogar no meio-campo?

Não. Sinto-me confortável nas duas posições. Adoro jogar como lateral esquerdo no Seleção. Obviamente, tenho muita liberdade nessa posição e realmente gosto de seguir em frente. E também adoro jogar no meio-campo.

Em que Arthur Elias gosta de trabalhar?

Fomos campeões brasileiros junto com o Centro Olímpico em 2013. Ele realmente respeita os jogadores. Ele acredita no futebol feminino e o ajudou muito a crescer. Fiquei um tempo longe do Brasil. Quando voltei em 2019, vi que ele evoluiu muito como treinador – suas ideias, suas táticas. Ele fez muito pelo futebol feminino brasileiro.

Andressinha está em excelente forma…

Ela é um talento único. Sua inteligência de jogo é muito rara. Ela sabe exatamente onde encontrar cada um de seus companheiros de equipe, ela sabe a hora certa para desacelerar as coisas, acelerar as coisas. Ela é uma especialista em bola morta. Ela tem sido uma Seleção jogador por muito tempo – ela tem essa experiência, ela carrega essa responsabilidade. Ela é uma jogadora incrível e uma pessoa extraordinária fora do campo.

O que você acha do Avai Kindermann?

Eles são uma equipe muito competitiva. Estão na final do Brasileiro por mérito. Eles têm um plantel muito forte, têm Jorge Barcellos, um técnico muito bom e experiente. Os jogadores entendem as instruções do treinador, jogam muito bem em equipa e são muito fortes mentalmente nos momentos decisivos.

Você esteve recentemente no Brasil com Julia e Duda. O que você acha desses dois?

Conheço a Julia mais por jogar contra ela no Brasil. Ela vem muito. Ela é uma ótima jogadora. Duda me surpreendeu muito. Ela também é uma jogadora excelente. Mostra a força do futebol juvenil brasileiro. Não é só Julia e Duda, mas temos Valeria, Nycole, Giovana brilhando na Seleção. Eles também têm boas cabeças. O futebol não é apenas uma questão de talento, especialmente quando você é jovem. Esses jogadores estão com os pés no chão, querem trabalhar muito, querem melhorar.

Além do Corinthians, quem você considera o melhor time do Brasil?

Acho que o campeonato brasileiro é muito competitivo. Acho que há seis, sete clubes que poderiam lutar pelo título. Eu diria Avai Kindermann, Internacional, Ferroviaria, Santos, São Paulo Palmeiras. Não sei quantas outras ligas têm tantos times que poderiam ganhar o título.

O que Bernardo acha da mãe ser futebolista?

(risos) Acho que ele está muito orgulhoso, muito feliz. O Bernardo sempre me acompanha – na Dinamarca, no Brasil. No começo, quando voltei a jogar futebol de mãe, ele sentiu um pouco, não queria saber de futebol. Mas aí começou a entender e a gostar de futebol, a gostar de ir aos estádios. Infelizmente este ano ele não conseguiu por causa da pandemia, mas ele realmente apoia o Corinthians e a mim. Espero que, sem dizer isso, esteja passando um exemplo para ele: que ele sempre acredite nos seus sonhos.

Ele tem alguns genes muito fortes. Um desses sonhos é se tornar um jogador de futebol profissional?

(risos) Ele é um bom jogador, muito esportivo. Ele joga futebol, ele anda de bicicleta, ele patina. Ele ainda está descobrindo o que gosta. Estamos sempre apoiando-o em tudo o que ele deseja fazer e em todos os sonhos que deseja perseguir.

Quanto cresceu o futebol feminino brasileiro nos últimos anos? Você se lembra de algum momento “wow”?

As mulheres foram proibidas de jogar futebol no Brasil por lei de 1941 a 1979. A geração de Sissi, Michael Jackson, Roseli, Pretinha mostrou que o futebol feminino brasileiro tinha potencial. A mídia não deu a eles o valor que eles mereciam, mas devemos muito a eles. Assistir a Sissi na televisão me deu vontade de jogar futebol e vestir a camisa brasileira. Outro momento surpreendente foi em 2004, quando as meninas jogaram de forma extraordinária, jogaram um futebol bonito e chegaram à final das Olimpíadas. Mesmo assim não receberam a atenção que mereciam, mas inspiraram, deram exemplo para as futuras gerações. Os Jogos Pan-americanos de 2007 – 70 mil no Maracanã para a final contra os Estados Unidos. Foi um grande momento. Acho que a Copa do Mundo Feminina do ano passado deu um grande impulso ao futebol feminino. Passamos de um repórter cobrindo nossas partidas para uma visibilidade imensa. Esse foi outro momento incrível. Isso ajudou a aumentar a popularidade do futebol feminino no Brasil, mas é importante que continuemos crescendo o esporte ano a ano.

Como você acha que o Corinthians se sairia contra o campeão europeu Lyon?

O Lyon é uma referência mundial no futebol feminino. O que eles conquistaram, ao longo de tantos anos, é incrível. Eles são um exemplo para todos. Eu não posso te dizer quanto respeito e admiração eu tenho por eles. O Corinthians deseja fazer o mesmo. Não queremos ser referência apenas no Brasil, mas no mundo também. Temos de continuar a trabalhar muito, a aprender para que, se tivermos oportunidade de defrontar o Lyon – e outras grandes equipas do futebol feminino – estejamos preparados. Acho que ambos fizemos um ótimo trabalho em nossos países e é difícil prever o que aconteceria se o Corinthians enfrentasse o Lyon.

O Brasil venceu oito, empatou quatro e perdeu apenas uma sob o comando de Pia Sundhage. O que você acha disso Seleção?

Nós crescemos muito. Pia acrescentou um elemento europeu ao nosso jogo – a intensidade e o ritmo do nosso jogo. Podemos relaxar com a bola, mas Pia não quer que joguemos em ritmo lento. Ela quer que sejamos inteligentes com a bola. Acho que melhoramos a cada encontro. Não se trata apenas de Pia, mas de toda a equipe de bastidores – eles se encaixaram perfeitamente, se dão muito bem com todos os jogadores, nos adaptamos muito rápido e trabalhamos muito bem juntos. Acho que estamos vendo isso em nossos resultados. Pia fez um excelente trabalho.

O Brasil terminou como vice-campeão na batalha pelos grandes títulos em 2004, 2007 e 2008. Você consegue ganhar o ouro olímpico no ano que vem?

Estamos confiantes no processo. Estamos trabalhando para isso e no caminho certo. Quando chegarmos às Olimpíadas, queremos estar no nosso melhor físico, mental, técnico e tático. Temos ótimos jogadores e acho que a Seleção avançou muito sob o comando do Pia. Acho que temos muita esperança de fazer uma excelente campanha e lutar pela medalha olímpica. É claro que o sonho de todo jogador é um ouro olímpico – vamos lá com essa meta.

Os EUA são os grandes favoritos. O que você acha dos americanos?

Os Estados Unidos são outra referência global. Eles jogam e vencem juntos há muito tempo. Você olha quantos jogadores eles têm saindo das universidades – é tão diferente do Brasil. Mas o Brasil tem muito talento. Nós evoluímos muito. Se continuarmos como sempre fomos sob Pia, acho que podemos competir contra qualquer um.

A gente vê muita dança, canto, piada e risada na Seleção Brasileira…

Pia trouxe muito disso para o time. É uma atmosfera muito relaxante. Mas não estamos dançando, brincando, rindo o tempo todo – há momentos para nos divertir e há momentos para trabalhar sério. Mas definitivamente ajuda mentalmente. A felicidade no elenco une todos. Às vezes, em uma reunião antes do treino, Pia toca uma música que espalha energia positiva e motiva você. Todos os jogadores adoram estar com o Seleção.

Por fim, quem você acha que merece ser eleita a melhor jogadora da FIFA este ano?

Debinha teve um ano magnífico. Eu realmente gostaria que houvesse mais jogadores sul-americanos nele. Mas das garotas listadas, acho que Delphine Cascarino ou Vivianne Miedema merecem. Ambos são jogadores excelentes e tiveram anos excelentes.


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