“Bolhas” densas no manto da Terra seriam os restos da colisão que formou a Lua

Em seus primeiros milhares de anos, a Terra foi constantemente bombardeada por grandes corpos celestes. Há cerca de 4,5 bilhões de anos, segundo a hipótese do grande impacto, um planeta vizinho de tamanho semelhante a Marte, chamado Theia, teria colidido com o nosso. Essa seria a explicação para a formação da Lua e também para a presença de grandes bolhas de material denso nas profundezas do manto terrestre – fragmentos remanescentes dessa colisão -, segundo artigo publicado recentemente na revista Science.

O novo estudo propõe que as chamadas Grandes Províncias de Cisalhamento de Baixa Velocidade (LLSVPs) seriam os restos do protoplaneta. Existem duas “bolhas” de até mil quilômetros de altura, localizadas abaixo da África Ocidental e do Oceano Pacífico. Qian Yuan, Ph.D. em geodinâmica da Arizona State University (ASU) e um dos autores do artigo, acredita que eles são as próprias entranhas de Theia: “essa ideia maluca é pelo menos possível”, acrescenta. Essas bolhas são, até o momento, as maiores estruturas do manto da Terra.

Representação computacional baseada em dados de sismógrafos das bolhas densas do manto terrestre (Imagem: Reprodução / Revista Quanta)

Os LLSVPs também podem ser explicados como a cristalização do magma primordial do manto da Terra ou densas poças de rocha no manto que teriam sobrevivido ao grande impacto. O ponto crucial da pesquisa de Yuan é a evidência sismológica de que os LLSVPs são quimicamente diferentes das rochas e do manto que os cerca – e juntos, eles contêm cerca de seis vezes mais massa do que a Lua. apenas um planeta com a massa de Theia seria capaz de colocar este material aqui – os modelos indicam que, após a colisão, o núcleo de Theia teria se fundido rapidamente com o da Terra.

Embora as análises não sejam conclusivas, o coautor Steven Desch, da ASU, diz que a equipe poderia testar essa ideia comparando a geoquímica entre as ilhas de lava da Terra e as rochas do manto lunar. Acontece que as amostras coletadas pela missão Apollo não apresentam o manto inalterado. Para isso, é necessário que em missões futuras, amostras da maior cratera de impacto da Lua – localizada em seu pólo sul -, sejam coletadas para esse fim.

Ilustração da hipótese do grande impacto, que seria o responsável pela formação da Lua e do material de bolhas no manto terrestre, há 4,5 bilhões de anos. (Imagem: Reprodução / NASA / JPL-Caltech)

Descobrir a natureza dessas grandes bolhas densas pode fornecer mais respostas quanto à formação da Lua e até mesmo explicar uma dinâmica ainda mais violenta no passado distante da Terra como a conhecemos até agora.

O artigo mais detalhado sobre a pesquisa está disponível na revista Science.

Fonte: Futurismo

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