Bolsonaro acelera conversas sobre filiação partidária após derrotas de candidatos aos quais declarou apoio


BRASÍLIA, SÃO PAULO E RIO – Depois de uma eleição em que os partidos de centro saíram vitoriosos e com poucas vitórias para os candidatos aos quais declararam apoio, o presidente Jair Bolsonaro intensificou as conversas com as lideranças partidárias em busca de uma lenda para se lançar à reeleição. Bolsonaro foi aconselhado a dialogar com as partes já estruturadas e com recursos, inclusive o centro, para escolher a nova casa. No entanto, deputados da ala ideológica insistem que ele volte ao PSL de Luciano Bivar e negocie uma reformulação com o partido para abrigar o presidente.

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A necessidade de reunir aliados em uma legenda – a dispersão das últimas eleições municipais foi apontada como fator responsável pelas derrotas – também acelerou o ritmo das discussões. Aliados do governo listam o PSL como opções; o PSD, de Gilberto Kassab; o PP, pelo senador Ciro Nogueira; PTB, de Roberto Jefferson; Republicanos, presididos por Marcos Pereira; e Patriota, de Adilson Barroso. A tendência, segundo assessores do governo, é que o chefe do Executivo evite movimentar-se ou ter agendas públicas com lideranças partidárias até a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado em fevereiro de 2021. Após a definição das forças nas duas casas, sim. , ele faria sua escolha.

Nos últimos três meses, o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) vem negociando com a cúpula do PSL uma reformulação da lenda para transformá-la novamente na casa de Bolsonaro. Os deputados ideológicos preferem continuar na sigla pela qual foram eleitos, que detém o segundo maior fundo eleitoral – quase R $ 200 milhões neste ano – para ter que buscar abrigo em outra rubrica sem recursos ou estrutura para lançar à reeleição em 2022.

A negociação envolveria escutar os inimigos de Bolsonaro: os deputados federais Júnior Bozzella (SP), Joice Hasselmann (SP), Dayane Pimentel (BA) e Nereu Crispim (RS) e o senador-mor Olímpio (SP).

Nas negociações, alguns deputados pedem a Bivar que entregue as chaves do partido ao Bolsonaro, dando ao presidente o controle dos recursos e de quem ocupará os diretórios estaduais. No entanto, nenhum líder do PSL ou outras siglas importantes estão dispostos a fazê-lo. As costuras incluem redistribuir comandos de diretórios estratégicos que recebem recursos para manter suas estruturas e impulsionar os aplicativos nos estados.

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Deputados bolonaristas chegaram a pedir que a legenda mudasse de nome e mudasse seu nome para Aliança, mas a ideia foi rejeitada.

A liderança do PSL evita falar abertamente sobre negociações com o governo antes da eleição para prefeito. A legenda, que se diz independente, serve para lançar Bivar como sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os deputados bolonaristas, agora afastados do partido, perderam a esperança de criar a Aliança pelo Brasil no prazo estipulado pelo Bolsonaro, que expira em março, e buscam a paz com a cúpula do PSL.

Oficiais da lenda, por outro lado, admitem que pode haver negociações para ajustar o partido para acomodar não só o presidente, mas também as alas ideológicas, conservadoras e também deputados da “velha política” que o partido quer filiar. A ideia é definir diretorias internas, com orçamentos definidos para cada grupo. Assim, o partido espera não encolher em 2022, já que as eleições municipais mostraram um enfraquecimento das ideológicas nas urnas.

Caso opte por um partido alinhado ao Centrão, Bolsonaro ainda terá que refinar seu discurso para tentar convencer a militância a aceitar o movimento para se juntar à “velha política”, além de vencer a resistência de alguns líderes partidários.

Aos aliados, o deputado Marcos Pereira mostrou resistência em abrigar nos republicanos os 20 deputados que acompanhariam Bolsonaro no ato de filiação, alegando que preferia ter o controle de um grupo de 31 deputados do que se perder com deputados insubordinados que não o fariam diálogo com o resto da bancada.

Denominações religiosas

Interlocutores do presidente no meio evangélico vêm aconselhando Bolsonaro a evitar os republicanos ao vincular a legenda à Igreja Universal do Reino de Deus, o que poderia afastá-lo de outras denominações religiosas.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, por outro lado, negou a possibilidade de Bolsonaro ingressar na sigla, ressaltando, no entanto, que tinha diretrizes convergentes com o governo. A adesão é defendida por membros do Planalto.

– Temos respeito pelo governo Bolsonaro, mas o PSD é um partido de centro. Não está no estatuto ou nos objetivos do partido ser um partido de direita. É por isso que Bolsonaro não se juntará ao PSD – disse Kassab.

Um aliado do presidente que faz parte da bancada evangélica da Câmara defende o retorno ao PP, partido que Bolsonaro desfilou em 2016 citando o envolvimento de lideranças em esquemas de corrupção. Um dos motivos é a aliança construída com o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), considerado o “fiador da governança” no momento. A avaliação é que a legenda permitiria ao presidente garantir em 2022 apoio a outras siglas do centão, como o PL.