Brasil: hospitais com pouca medicação sedativa, alerta médico

Um especialista em saúde pública no Brasil disse que alguns hospitais estão ficando sem suprimentos básicos, incluindo medicamentos para sedar pacientes, enquanto a situação do coronavírus está “fora de controle”.

O país relatou um marco de 3.000 mortes relacionadas ao COVID-19 em um único dia nesta semana – e 100.000 casos foram diagnosticados apenas na quinta-feira.

Médico brasileiro e especialista em epidemiologia Marcio Sommer Bittencourt disse ao The Hard Shoulder algumas áreas são piores do que outras.

“O Brasil é um país grande então você tem que olhar em perspectiva, não é exatamente igual em todo o país.

“Mas podemos dizer que do centro para o sul do Brasil, mas mesmo se espalhando para o nordeste e partes do norte, há uma pressão significativa no sistema de saúde.

“Estamos definitivamente sobrecarregados, não sendo capazes de tratar os pacientes de forma adequada – a maioria, senão todos, os hospitais estão trabalhando com uma capacidade de aumento para absorver o volume excessivo de pacientes”.

Marcio Sommer Bittencourt. Foto via @MBittencourtMD no Twitter

‘Esta fora de controle’

Ele disse que alguns lugares “estão lutando para ter medicação suficiente para sedar os pacientes para intubação.

“E alguns lugares estão tendo uma restrição no fornecimento de oxigênio”.

Ele disse que também estão surgindo problemas em torno de camas, funcionários e equipamentos.

“Está fora de controle: todos os hospitais estão cancelando procedimentos eletivos, mesmo urgentes, para absorver a capacidade de vários dos grandes hospitais paulistas da zona sul que estão funcionando com mais de 50% da carga exclusivamente no COVID.

Brasil Um hospital de campanha com 110 leitos com pacientes em tratamento para coronavírus em São Paulo, Brasil. Foto por: Andre Lucas / DPA / PA Images

“Alguns deles até 70% ou 80% só atendem COVID, e isso restringe as demais situações de saúde crônicas e agudas.

“Acho que, ao meu entender, está fora de controle”.

Ele disse que vê isso como um ‘colapso’ do sistema de saúde do país.

“Tem havido muita discussão sobre se podemos chamar isso de colapso ou não é um colapso.

“E meu entendimento é que sempre que o sistema de saúde não consegue absorver e cuidar adequadamente dos pacientes, de forma que isso impacta em alguma medida o prognóstico do paciente, estamos pelo menos em algum nível em algum tipo de colapso”.

Imagem principal: Equipe médica trabalha em um hospital de campo para pacientes com coronavírus em São Paulo, Brasil. Foto por: Andre Lucas / DPA / PA Images

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