Brasil: Morte de homem espancado por seguranças do Carrefour gera protestos | Noticias do mundo


O funeral de um homem negro que morreu após ser espancado por seguranças de supermercados no Brasil foi realizado após protestos que ecoaram os do movimento por justiça racial nos Estados Unidos.

João Alberto Silveira Freitas, pai de quatro filhos, foi sepultado com uma camiseta branca em um caixão coberto com a bandeira de seu time de futebol preferido na cidade de Porto Alegre.

“Só quero justiça”, disse à Globo sua parceira, Milena Borges Alves. “Isso é tudo. Eu só quero que eles paguem pelo que fizeram a ele.”

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O Sr. Freitas foi enterrado em um caixão coberto com a bandeira de seu time de futebol favorito

Na sexta-feira, manifestantes pintaram “Vidas Negras Fazem” na calçada da Avenida Paulista, uma das mais famosas de São Paulo, após uma série de protestos por todo o país, muitos deles em agências da rede de supermercados Carrefour.

A polícia militar usou spray de pimenta para dispersar a multidão em frente a um supermercado na cidade nordestina de Recife.

A indignação foi alimentada por um vídeo amplamente divulgado mostrando um guarda prendendo Freitas enquanto outro o golpeava repetidamente no rosto.

Outro clipe depois mostrou um guarda ajoelhado de costas no estacionamento da loja em Porto Alegre na quinta-feira.

Ambos os guardas foram detidos e enfrentam possíveis acusações de homicídio, segundo autoridades policiais.

O presidente-executivo do grupo de supermercados Carrefour, Alexandre Bompard, disse no Twitter que as imagens eram “insuportáveis” e prometeu ir além dos “insuficientes” passos já dados pela filial da empresa no Brasil.

Manifestantes atearam fogo durante um protesto na entrada de um supermercado Carrefour onde João Alberto Silveira Freitas foi espancado até a morte, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 20 de novembro de 2020
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Manifestantes atearam fogo durante um protesto na entrada de um supermercado Carrefour, onde ele morreu

“Meus valores e os valores do Carrefour não são compatíveis com racismo e violência”, disse ele.

O Carrefour disse anteriormente que encerraria seu contrato com a empresa de segurança e demitiria o gerente da loja que estava de plantão.

Negros e pardos representam cerca de 57% da população brasileira, mas constituem 74% das vítimas de violência letal, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma organização não governamental.

A porcentagem é ainda maior – 79% – para os mortos pela polícia.