Brasil trabalhando com Biden sobre clima, desmatamento na Amazônia, diz chanceler

BRASÍLIA (Reuters) – O governo brasileiro e o governo Biden estão trabalhando juntos no combate às mudanças climáticas, área que parecia ser o principal obstáculo às boas relações, disse o chanceler brasileiro, Ernesto Araujo, na sexta-feira.

FOTO DO ARQUIVO: Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, em entrevista coletiva no Palácio do Itamaraty em Brasília, Brasil, 2 de março de 2021. REUTERS / Adriano Machado / Foto do arquivo

O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro desenvolveu um alinhamento próximo com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e compartilhou seu desdém pelas questões de mudança climática e acordos internacionais.

Mas agora isso mudou, segundo Araujo, falando remotamente ao fórum empresarial hemisférico do Conselho das Américas.

“Algo que era considerado um impedimento … está totalmente fora do caminho. Estamos agora trabalhando juntos … como parceiros-chave para uma COP26 bem-sucedida e implementar plenamente os acordos sobre o clima ”, disse Araujo, referindo-se à cúpula do clima das Nações Unidas para o clima da COP26, programada para o final deste ano.

Araujo disse que ele e o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, conversaram com o enviado do presidente Joe Biden para o clima, John Kerry, e sua equipe. Ele disse que não havia “diferenças filosóficas”, apenas diferenças de abordagem.

Araujo já havia sido visto como um cético em relação ao clima, que chamava as teorias da mudança climática induzida pelo homem de uma “conspiração marxista”.

Ele reconheceu que há desmatamento ilegal ocorrendo na Amazônia, que ele disse que o governo está combatendo.

“A disposição para cooperar no desmatamento está totalmente presente”, disse ele, acrescentando que os Estados Unidos estão abertos ao “investimento sustentável” na Amazônia.

O desmatamento na floresta amazônica do Brasil atingiu um pico em 12 anos em 2020, quando uma área sete vezes o tamanho de Londres foi cortada, de acordo com a agência de pesquisa espacial do governo INPE.

Isso se seguiu a um grande salto no desmatamento em 2019, quando Bolsonaro assumiu o cargo e agiu para enfraquecer a fiscalização ambiental, que ele criticou como excessiva.

Araujo disse que Brasília está procurando formar uma aliança com os Estados Unidos baseada nos valores de “democracia e prosperidade”, com o Brasil precisando de investimentos dos EUA para se transformar em uma economia de mercado moderna.

Reportagem de Anthony Boadle, edição de Rosalba O’Brien

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