Chuva de meteoros e eclipse estão entre os eventos astronômicos da semana

postado em 13/12/2020 19:22 / atualizado em 13/12/2020 19:29


Agenda de eventos astronômicos em dezembro – (crédito: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações / Divulgação)

O céu de dezembro reserva uma série de eventos astronômicos que podem ser observados a olho nu em Brasília. O tempo chuvoso e nublado não favorece, mesmo assim, será possível acompanhar fenômenos como chuva de estrelas cadentes, eclipse solar e encontros com planetas.

No sábado (12/12), ocorreu a conjunção de Vênus com a Lua. Entre este domingo (13/13) e segunda-feira (14/12), ocorre o pico da dupla chuva de meteoros, com pico máximo previsto para esta noite. Na segunda-feira (14/12), haverá um eclipse parcial do Sol na vista do céu brasileiro.

Entre quarta-feira (16/12) e quinta-feira (17/12), a Lua encontra Júpiter e Saturno. Para 21 de dezembro, há dois eventos astronômicos programados: Solstício de verão e a conjunção de Júpiter e Saturno.

Quem tem equipamentos especializados, como telescópios, pode observar melhor os eventos. Porém, mesmo sem esse tipo de equipamento, é possível admirar os fenômenos. É o que explica o astrônomo amador Maciel Bassani Sparrenberger, diretor técnico do Clube de Astronomia de Brasília (Casb), associação que conta com 100 membros ativos.

Para os interessados ​​em astronomia, é bom aproveitar as oportunidades que o mês se apresenta, pois vários dos eventos demorarão para acontecer novamente na capital federal. O próximo eclipse parcial do Sol está previsto para ocorrer em 2023. Antes disso, haverá a famosa Lua Vermelha, que é um eclipse lunar, em novembro de 2021.

Confira dicas para aproveitar cada evento astronômico em dezembro:

Pico da chuva de meteoros Geminid / Gemedia

Essa chuva de estrelas cadentes se origina na constelação de Gêmeos, por isso recebe esse nome. Ocorre todos os anos na mesma data. O pico máximo está previsto para este domingo (13/12), a partir das 22h, e o vento vai se espalhar até a madrugada de segunda-feira (14/12).

Chuva de meteoros gemidiana
Chuva de meteoros gemidiana
(foto: Clima e Radar / Divulgação)

Em condições de céu ideais, seria possível ver mais de 100 meteoros por hora, geralmente na cor amarela. Em Brasília, a poluição luminosa, a localização geográfica e as nuvens devem permitir a visualização de 30 meteoros por hora, conforme explica Maciel Bassani Sparrenberger.

“Com paciência e técnica certa, será possível acompanhar. A dica é procurar um local com o mínimo de luz possível, de preferência mais distante da cidade. O equipamento adequado é cadeira de praia e jaqueta, além de preparar para ficar muito tempo ”, recomenda.

Segundo ele, é preciso dedicar pelo menos meia hora à observação, a partir das 22h deste domingo (13/12), para ter mais chances de visualizar. Na noite de segunda (14/12) para terça (15/12), também deverá ser possível observar os meteoros.

“Meteoros são fragmentos de asteróides e cometas que, ao entrarem na atmosfera, queimam e causam um efeito luminoso”, explica Maciel. As partículas são do tamanho de um grão de areia e não atingem o solo terrestre, queimando totalmente na atmosfera.

“Quando há um grande número desses corpos na mesma órbita, dá-se a impressão de que se trata de uma chuva de meteoros, daí o nome. A fragmentação de um objeto deixa esses grãos que, ao se aproximarem da terra, formam essa chuva ”, explica.

Eclipse solar

Nesta segunda-feira (14/12), haverá um eclipse solar. Dependendo do local de observação, será um eclipse total, no caso do sul da Argentina, onde será noite. Em Brasília, o eclipse será parcial e não haverá grandes alterações de luminosidade e calor devido ao fenômeno. Alguém que não saiba nem perceberá que um eclipse está acontecendo.

O eclipse em Brasília será parcial, mas em lugares como o sul da Argentina será total, como o da foto
O eclipse em Brasília será parcial, mas em lugares como o sul da Argentina será total, como o da foto
(foto: google)

A partir das 13h05, a Lua começa a cobrir o Sol no céu do DF. Às 14h, o satélite cobrirá menos de 10% da estrela, no pico do eclipse. Às 14h55, o fenômeno vai acabar. “Para nós do Brasil, Luva vai passar ‘mordendo’ um pedaço do sol. Não vai passar pelo centro, mas pela fronteira ”, explica Maciel Bassani Sparrenberger.

Tentar observar esse fenômeno pode ser perigoso. A recomendação do astrônomo amador é: “não olhe para o sol”. Usar óculos escuros ou placas de raio-X, por exemplo, não adianta. “Nada disso é seguro para observar o Sol”, avisa Maciel. O único equipamento que ele recomenda é um vidro de solda nº 14, o mais grosso, que ajudaria na observação a olho nu.

Este vidro não deve ser colocado na frente de telescópios, binóculos ou câmeras, que podem queimar assim. Qualquer pessoa que use este equipamento deve procurar um filtro apropriado. Segundo Maciel, os eclipses são calculados com grande precisão. No site eclipse.gsfc.nasa.gov, é possível acompanhar, em inglês, as previsões para os próximos anos e séculos.

Encontro da Lua com Júpiter e Saturno e alinhamento dos dois planetas

Entre quarta e quinta-feira (16 e 17/12), será possível ver a Lua, Júpiter e Saturno muito próximos um do outro. Em 21 de dezembro, os planetas Júpiter e Saturno são unidos, quando os planetas se “alinham” de acordo com a visão que temos na Terra. Na verdade, os dois estão muito distantes, mas, do ponto de vista terrestre, parece que estão próximos. “Eles simplesmente estarão na mesma direção de visão.”

É o que explica Maciel, diretor da Casb. “Júpiter e Saturno têm sua órbita ao redor do Sol. A cada 20 anos, é possível ver os dois ‘muito próximos’ ”, informa. Segundo ele, a conjunção que ocorrerá este mês é bastante esperada, pois é a mais próxima desde 1623. “Nessa aparente aproximação, é quando eles estarão mais próximos um do outro.”

Maciel Bassani Sparrenberger, diretor técnico do Clube de Astronomia de Brasília (Casb)
Maciel Bassani Sparrenberger, diretor técnico do Clube de Astronomia de Brasília (Casb)
(foto: Zuleika de Souza / CB / DA Press)

Para aproveitar melhor o fenômeno, Maciel indica que comece a olhar para o céu agora. “Logo depois que o sol se põe e o céu fica escuro, você vê duas estrelas no lado oeste. O mais forte é Júpiter e, em seguida, aparecerá Saturno ”, afirma. “A recomendação é começar a olhar para eles dia após dia para perceber que estão se aproximando.”

Para quem tem telescópio, binóculo ou câmera fotográfica com grande capacidade de zoom, as quartas e quintas desta semana são oportunidades de ouro. “Será possível ver os dois planetas no mesmo campo visual da Lua, como se fosse uma conjunção tripla”, destaca. “É muito bonito ver a olho nu também”, pondera.

“No dia 21, será a aproximação máxima de Júpiter e Saturno, mas não espere no dia 21 para olhar, porque, nessa ocasião, eles estarão muito próximos do horizonte e logo desaparecerão”, avisa.

Solstício de dezembro

O solstício de verão ocorre em 21 de dezembro, representando o dia em que o hemisfério sul da Terra é inclinado em um ângulo que permite receber o máximo de luz solar possível. Portanto, a ocasião marca o início do verão. Assim, 21 de dezembro também será o dia com o maior período de luz na parte sul do planeta.

Em comparação com os outros fenômenos astronômicos deste mês, este é o mais difícil de observar diretamente. “Se você observar o nascer do sol todos os dias, verá que, no verão, ele nasce e se põe mais ao sul e, no inverno, mais ao norte. O solstício de dezembro ocorre apenas quando o sol nasce e se põe no sul ao máximo. É como se, durante três dias, ele viesse do sul ”, explica Maciel.

No entanto, quem começar a assistir ao nascer do sol agora não verá diferença em relação a 21 de dezembro. É possível, no entanto, perceber as diferenças nas sombras dos objetos, de preferência ao meio-dia. “Se você olhar para a sombra de um poste todos os dias, marcando onde estava no dia anterior, você pode ver o movimento.”

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