Combate à Covid-19 fecha escolas municipais e deixa shopping centers abertos 24 horas no Rio


RIO – O governador em exercício Cláudio Castro e o prefeito Marcelo Crivella apresentaram os próximos passos do enfrentamento da Covid-19 no estado do Rio, em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, 4. A expectativa era pelo anúncio da retomada das medidas restritas. As escolas municipais voltam a fechar as portas, enquanto os centros comerciais funcionam 24 horas por dia.

Sobrecarga:pelo menos cinco estados ocupam 80% dos leitos de UTI da Covid-19 na rede pública

A Secretaria Estadual de Saúde anunciou a abertura de 386 leitos, dos quais 314 em UTI. Já Crivella disse que 170 leitos serão abertos no município nos próximos 15 dias e outros 50 na UTI.

Castro e Crivella apresentaram a operação de shopping centers em período integral como alternativa para evitar aglomerações, o que poderia reduzir até mesmo a sobrecarga no transporte público.

– Podemos voltar. Portanto, o apelo é que não precisemos tomar medidas mais duras, que de preferência seriam evitáveis. Fizemos um sacrifício de quase um ano. Por isso, faço um apelo à conscientização de todos – disse Crivella, que disse ter acertado com os representantes comerciais a mudança do cronograma. – Shoppings e shopping centers poderão operar 24 horas por dia para que a população não tenha que correr.

Retorna: Especialistas criticam a escolha do governo de não retomar as restrições à medida que a Covid-19 sobe

Momentos depois, Castro voltou ao assunto e afirmou que a iniciativa está autorizada a se estender a todo o estado do Rio:

– A medida será válida enquanto você tiver essa situação de crise. Então, quando voltarmos ao normal, vamos definir o fim dessa iniciativa.

O governador em exercício completou:

– Existem medidas de isolamento em vigor. Reconhecemos nossa falha em inspecionar e reforçar isso. Entendemos que medidas bem supervisionadas e ampliação de leitos neste momento são suficientes.

Medidas de enfrentamento para Covid-19

Crivellia disse que as atividades nas escolas serão suspensas a partir de segunda-feira, dia 7. A medida, segundo ele, vai ajudar a diminuir o trânsito de pessoas nas ruas e no transporte público, além de evitar a contaminação de ambientes escolares.

Até então, apenas turmas do 9º ano do ensino fundamental podiam frequentar as unidades, além dos setores administrativos. A adesão, no entanto, foi baixa. Crivella disse que as atividades são interrompidas até que a curva da doença na cidade possa ser controlada:

– As escolas municipais, por recomendação do Ministério Público e da comissão científica, estamos interrompendo, esperando que possamos controlar essa curva e ela volte a se estabilizar. Isso (um balanço) tem sido feito diariamente junto aos nossos especialistas e o Estado

O prefeito do Rio também falou sobre o funcionamento dos tomógrafos 24 horas por dia para exames. O atendimento ampliado será oferecido em unidades de saúde do estado, como os hospitais Getúlio Vargas, Carlos Chagas, Alberto Torrres, na capital, e em municípios como Duque de Caxias, Volta Redonda e Saquarema.

– Faço um apelo à população principalmente para não fazer aglomerações em locais onde não são utilizadas máscaras, como bares e praias – disse Crivella.

Camas no estado

Na rede de saúde, que, segundo especialistas, já está em colapso novamente, a situação é de muita pressão por leitos, principalmente na capital, onde há 99% de ocupação em leitos exclusivos para coronavírus oferecidos pela cidade, e 92% na rede SUS regulada pelo município. Em todos os estados, há fila de espera de 216 pacientes para vagas de UTI, 86% preenchidas. Hoje, foram anunciadas novas vagas para os próximos dias. De acordo com o estado, serão 386 novos leitos, sendo 314 em UTI. A prefeitura do Rio, por outro lado, falou em abrir 170 leitos de enfermaria, nos próximos 15 dias, e mais 50 e de UTI.

A alta taxa de ocupação de leitos tem sido um dos pontos principais. Hoje, segundo o governo estadual, a regulação na UTI da Covid leva, em média, 18 horas para uma vaga para pacientes. No enfermeiro, o tempo de espera é de 36 horas. Castro disse ter pedido à secretaria uma solução em 72 horas para fazer a espera de internamento na enfermaria cair para menos de um dia.

– Estamos trabalhando em quatro pilares principais: transparência, com os dados aqui apresentados já disponibilizados no site da secretaria estadual de saúde; abertura de leitos, em parceria com a prefeitura; a fiscalização, que começou na semana passada, fechou mais de 40 eventos e será ainda mais dura neste final de semana; e a conscientização da população, com campanha publicitária que começa na próxima semana – listou o governador em exercício.

Sem volta

Apesar do posicionamento da comissão técnica da prefeitura, do Ministério Público do Rio e da comunidade médica, em sua declaração inicial, Castro não falou em recuar nas liberações neste momento:

– A pandemia não foi embora. Vivemos um ano extremamente difícil. Onde todos tiveram perdas incalculáveis, muitos não conseguiram trabalhar. Muitas dificuldades, inclusive erros do poder público. O mundo inteiro estava errado, não éramos diferentes. Precisamos que todos se conscientizem e assumam a responsabilidade de não ter um revés. É preciso usar álcool, distância, uso de máscara. A pandemia não foi embora. Estamos lutando contra um inimigo duro – disse o governador em exercício.

Castro negou ter feito sentido contrário à área técnica:

– Estamos conversando com técnicos de saúde todos os dias. Não estamos desrespeitando a área técnica da saúde – afirmou.

Na quinta-feira, 3, Castro voltou a negar que o estado adote quaisquer novas medidas restritivas, apesar da recomendação dos especialistas que compõem a comissão científica da cidade do Rio de adotar novas medidas de isolamento social. Entre as sugestões está o fechamento de escolas, a proibição de banhistas nas praias e o agendamento de horários de comércio – inclusive bares e restaurantes.

A prefeitura da capital também foi pressionada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a recuar nas decisões relativas às fases de flexibilização do plano que vem seguindo. A agência emitiu recomendação nesta quinta-feira, 3, ao prefeito Marcelo Crivella e à Secretaria Municipal de Saúde para que as regras adotadas sejam compatíveis com os indicadores referentes ao percentual de ocupação de leitos na UTI do município.

O MP analisou os dados do próprio município e concluiu que, desde 20 de novembro, “todos os indicadores entraram em ritmo de piora exponencial, indicando necessidade técnica de regressão de fase”.