Covid-19: Fiocruz avisa que Saúde no Rio já entra em colapso com o andamento de novos casos


RIO – Nota técnica divulgada pelo Monitor Covid-19, grupo de estudos da Fiocruz, alerta nesta quarta-feira que a rede pública de saúde da cidade do Rio já está em colapso. Na quarta-feira, 172 pessoas aguardavam por um leito de UTI na região metropolitana, que além da capital inclui a Baixada Fluminense. Na rede privada, a situação também é preocupante, uma vez que 98% dos leitos de terapia intensiva da cidade do Rio estão ocupados.

– Já vemos o colapso do sistema. Dentro dos hospitais temos muitos problemas, mas fora também. E nem todos passaram pelo Covid-19, mas indiretamente ficaram sem assistência. Além disso, estar hospitalizado não garante vaga na UTI. Muitos morrem pela Covid-19 fora das UTIs, ainda que confirmados como casos da Covid-19 – comenta o profissional de saúde Christovam Barcellos, integrante da MonitoraCovid-19 e pesquisador da Fiocruz.

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O levantamento foi feito até 1º de dezembro, por isso os dados de novembro ainda podem sofrer alterações. Os pesquisadores destacam que não são apenas os hospitais que hoje sofrem com a superlotação e problemas de atendimento, mas também a assistência básica. Um dos dados analisados ​​utilizou por técnicos da Fiocruz para chegar à conclusão o número dessas mortes em setembro e outubro: 1.100 a mais do que o previsto para o período, indicando “que o sistema de saúde não voltou ao que seria” normal “, Depois da crise de abril e maio ”.

“Esse quadro aponta para uma condição de colapso do sistema de saúde, não só dos hospitais, mas também da atenção básica, que, se a prevenção e o tratamento oportuno dos casos de doenças crônicas fossem mantidos ou ampliados, um grande número poderia ser evitado. “, diz a nota técnica.

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Outra nota técnica com dados do final de novembro indicava que o Saúde do Rio já “dava sinais de colapso”. Mas, desde então, os pesquisadores também apontaram o aumento das mortes fora dos hospitais em outubro como um dos indícios de que falta assistência à saúde para os cariocas. Um dos principais motivos seria a desmobilização de leitos após os meses com maior número de casos e óbitos de Covid-19 na cidade:

– O maior pico foi em abril de maio, que foi uma grande crise, mas em outubro novamente aumenta o número de mortes fora dos hospitais. O pico agora é menor, mas a capacidade do sistema de saúde piorou. É um colapso agora gerado pelo próprio sistema. Foi avisado que poderíamos ter um novo aumento de casos. E a crise não está apenas nos hospitais, mas na atenção básica. As pessoas que não foram ao posto de saúde poderiam ter sido atendidas. Não é por acaso que se tratam de mortes que se concentram em problemas cardiovasculares e outras doenças crônicas – comenta Barcellos.

A proporção de óbitos em domicílio na capital até 1º de dezembro de 2020 em relação ao mesmo período de 2019 também é maior. Atualmente, a proporção de óbitos no domicílio gira em torno de 15%, enquanto a média do período fica em torno de 12%. A proporção de novembro é ainda maior do que a registrada na cidade no auge da pandemia.

Além das mortes que podem ser causadas diretamente pelo vírus, especialistas apontam que muitas foram causadas por doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que seriam indiretamente causadas pela pandemia, devido à restrição do acesso à saúde.

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“Nos anos anteriores, havia uma média de 12,7% dos óbitos ocorridos nos domicílios. Esse padrão foi superado de março a maio de 2020. De maio a outubro houve redução no indicador, mas em outubro e novembro os valores voltou a subir, chegando a 15% em novembro, o que pode demonstrar a impossibilidade de diagnosticar e internar casos graves, tanto de doenças crônicas, quanto do Covid-19 ”, diz um trecho da nota técnica.

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Outro dado analisado pelo grupo de estudo foi o local do óbito em geral, estando a pessoa internada ou não. Os especialistas concluíram que do total de mortes no Rio por coronavírus, apenas 40% foram em UTI. “Provavelmente mais da metade da população que morreu por Covid-19 no município nem teve a chance de receber cuidados intensivos”, afirmam.

Alerta para o feriado

Uma das preocupações do grupo técnico é que o novo aumento de casos da doença no Rio aconteça próximo aos feriados e comemorações de final de ano e alertam que a situação de desassistência pode piorar em breve se não houver reforço na estrutura do hospital:

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“Essa falta de atendimento pode se agravar com o aumento do número de casos e a exposição da população a situações de risco de transmissão do vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Nesse sentido, é importante fortalecer a estrutura hospitalar de terapia intensiva, a intensificação das atividades de atenção básica à saúde, vinculadas à vigilância sanitária, bem como a manutenção de medidas de isolamento social e alerta para condições de risco nas próximas semanas, principalmente tendo em vista a situação preocupante da realização de grandes festas de fim de ano, que já têm publicidade regular nas redes sociais. ”