‘Dados fantásticos’, diz Bolsonaro sobre o crescimento do PIB no 3º trimestre – 03/12/2020


O Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), comemorou hoje em transmissão realizada pelas redes sociais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que cresceu 7,7% no terceiro trimestre. Apesar da melhora nos três meses anteriores, o crescimento ficou abaixo das expectativas dos analistas consultados pela agência de notícias Reuters, em 9%.

“Economicamente estamos crescendo em” V “, como disse o Paulo Guedes, certo? Realmente, os dados são fantásticos”, disse Bolsonaro, sem citar diretamente os resultados divulgados hoje.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que os resultados obtidos mostram “bons sinais” de que o Brasil está se recuperando em “V”, termo usado para designar uma economia que teve uma queda abrupta e consegue se recuperar rapidamente.

“Só os negacionistas refutam a evidência empírica de que a economia voltou em ‘V’. Quem conhece números e dados entende que voltou em V”, disse o ministro.

O avanço de 7,7% representa o maior crescimento desde o início da série histórica, em 1996. Apesar disso, quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB apresentou queda de 3,9%.

Também houve queda em relação a 2019 no ano. O crescimento ficou abaixo do esperado por Paulo Guedes, que, apesar disso, negou qualquer “frustração” com os resultados.

“O sinal mais importante é que a economia está voltando. Não há frustração. A informação objetiva que sai disso é que o Brasil está se fortalecendo”, disse o ministro.

Indústria e Comércio crescem no trimestre

Tanto o setor de Indústria quanto de Serviços apresentaram alto desempenho nos últimos três meses. Na Indústria, o destaque foi o crescimento de 23,7% no setor de transformação. Do lado dos Serviços, o Comércio cresceu significativamente, com um acréscimo de 15,9%. O segmento de transporte, armazenagem e correio aumentou 12,5%.

No entanto, a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, afirmou que, nos Serviços, não houve recuperação de dados em relação ao primeiro trimestre.

“Houve queda tanto da oferta quanto da demanda. Mesmo com a retirada das restrições operacionais, as pessoas ainda têm medo de consumir, principalmente os serviços prestados às famílias, como hospedagem, alimentação, cinemas, academias e salões de beleza”, explica.

Consumo das famílias brasileiras aumentou

Com a retomada das atividades econômicas, as famílias brasileiras voltaram a consumir, o que elevou os resultados deste índice. O IBGE registrou aumento de 7,6% no consumo das famílias em relação ao último trimestre.

A melhora vem depois que o consumo das famílias caiu um recorde de 12,2% no segundo trimestre, no auge das restrições decorrentes da pandemia. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, o índice caiu 3,9%.

“O consumo de serviços cresceu, mas foi bem menor que a queda anterior, pois as famílias não voltaram a consumir no patamar anterior à pandemia”, explica Rebeca.

* Com informações da Reuters e Conteúdo do Estadão