Defesa de Robinho apresentou dossiê sobre a vida da vítima: “Foi ignorado”, diz seu advogado | santos


No material coletado estavam fotos copiadas das redes sociais da vítima que, por meio da linha defensiva dos advogados de Robinho, mostrariam uma relação próxima com festas e bebidas.

– Isso não é uma coisa vetada. O Código de Processo Penal dá consentimento – afirma o advogado Jacopo Gnocchi, que defende mulheres desde o início das investigações em 2013.

Gnocchi diz que essa estratégia de defesa (usar fatos da vida pessoal da vítima para tentar desacreditá-la) é comum em casos relacionados a crimes de violência sexual, mas lembra que esse argumento não foi utilizado pela defesa do jogador no julgamento de primeira instância, concluído em novembro de 2017.

– Só apareceu agora e não merecia resposta ou atenção. Foi uma escolha legítima de defesa. Não posso avaliar o resultado da escolha, mas isso foi completamente ignorado no julgamento – acrescentou Jacopo Gnocchi.

+ Robinho sugeriu ao amigo que voltasse ao Brasil: “Pelo menos você não fica na cana”

Robinho ainda assinou com o Santos, mas o contrato foi suspenso – Foto: Ivan Storti / Santos FC

Ele afirma que a vítima, que acompanhou pessoalmente a audiência no tribunal de Milão, foi “levemente impactada” pelo material apresentado.

– Psicologicamente, deu muito trabalho para ela. Era como reviver tudo de novo. Mas faz parte da dinâmica processual, a defesa tem o direito de usar toda a estratégia ao seu dispor para fazer valer os seus argumentos.

A condenação de Robinho e Ricardo Falco foi baseada no artigo “609 bis” do código penal italiano, que fala da participação de duas ou mais pessoas reunidas por ato de violência sexual, obrigando a vítima a praticar sexo em razão de sua condição de “Inferioridade física” ou psíquica ”.

De acordo com o depoimento da vítima e as interceptações realizadas durante a investigação, a mulher estava “completamente embriagada” quando foi dominada e submetida a relações sexuais sem o seu consentimento com o jogador e seus amigos.

Os advogados dos arguidos sustentaram que a relação era consensual e contestaram também o pressuposto de que a vítima era “perturbada psicologicamente”, alegando que não havia provas de que ela estava embriagada.

Com a sentença confirmada pelo tribunal de segunda instância, os advogados de Robinho e Falco apelarão para o Tribunal de Cassação, órgão que no sistema judiciário italiano equivale no Brasil ao Supremo Tribunal Federal. Somente depois que o processo for processado nessa terceira instância, o acusado será considerado culpado.

O crime, segundo a denúncia, ocorreu em janeiro de 2013 na boate Sio Café, em Milão, quando Robinho era um dos principais jogadores do Milan. Ao todo, seis homens foram acusados ​​de abusar sexualmente da mulher, que fez 23 anos na noite do episódio. Quatro dos acusados, amigos de Robinho e residentes no Brasil, deixaram a Itália durante a investigação e não foram incluídos no processo.

Casagrande comenta condenação de Robinho em segunda instância na Itália

O tribunal de segunda instância de Milão tem até 90 dias para publicar a sentença de ontem. Só depois disso o recurso poderá ser encaminhado pelos advogados de defesa à terceira instância.

No Tribunal de Cassação, segundo o advogado Gnocchi, haverá uma análise do andamento do caso nas duas instâncias anteriores, e não uma terceira apreciação dos fatos.

– Normalmente o julgamento lá é bem rápido. Se não houver muitos pontos particulares, ele será concluído em até um ano – afirmou.