Desmatamento na Amazônia brasileira atinge a maior alta de 12 anos sob Bolsonaro


A escala do desmatamento na floresta amazônica do Brasil atingiu um pico de 12 anos em 2020, dados oficiais do governo mostraram na segunda-feira, com destruição crescente desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo e enfraqueceu a fiscalização ambiental.

Em 2020, a destruição da maior floresta tropical do mundo aumentou 9,5% em relação ao ano anterior, para 11.088 quilômetros quadrados – cerca de 4.280 milhas quadradas, ou um pouco menor que Connecticut – de acordo com dados da agência nacional de pesquisa espacial do Brasil, Inpe.

Isso significa que o Brasil perderá sua própria meta, estabelecida por uma lei de mudança climática de 2009, de reduzir o desmatamento anual para cerca de 3.900 quilômetros quadrados. As consequências do não cumprimento da meta não estão previstas na lei, mas podem deixar o governo aberto a ações judiciais.

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A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e sua proteção é crucial para deter as mudanças climáticas catastróficas devido à grande quantidade de dióxido de carbono que absorve.

A medida anual oficial da extensão do desmatamento é feita pela comparação de imagens de satélite. A última destruição anual é um aumento substancial em relação aos 7.536 quilômetros quadrados que foram desmatados em 2018, um ano antes de Bolsonaro assumir o cargo.

Embora o tamanho total das terras desmatadas tenha atingido o máximo de 12 anos, as autoridades federais saudaram a porcentagem de crescimento de 9,5% como um sinal de progresso, muito inferior ao aumento de 34% registrado em 2019.

“Embora não estejamos aqui para comemorar, isso significa que os esforços que estamos fazendo estão começando a dar frutos”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão aos jornalistas na sede do Inpe, na cidade-satélite paulista de São José dos Campos.

Bolsonaro enfraqueceu o Ibama, órgão de fiscalização ambiental, e pediu mais agricultura e mineração comercial na região amazônica, argumentando que isso tiraria a região da pobreza. Defensores do meio ambiente dizem que incentivaram fazendeiros ilegais, mineradores e grileiros a derrubar a floresta.

Os números “mostram que o plano de Bolsonaro funcionou”, disse a organização não-governamental brasileira Observatório do Clima em um comunicado. “Eles refletem o resultado de uma iniciativa de sucesso para aniquilar a capacidade do Estado brasileiro e dos órgãos de fiscalização de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia.

Líderes europeus como o presidente Emmanuel Macron da França criticaram ferozmente o Brasil, argumentando que ele não está fazendo o suficiente para proteger a floresta.

O presidente eleito Joseph R. Biden Jr. a disse em um debate que o mundo deveria oferecer dinheiro ao Brasil para financiar os esforços para conter o desmatamento e ameaçou consequências econômicas se não o fizesse. O comentário atraiu críticas ferozes de Bolsonaro, que disse que era uma ameaça contra a soberania do Brasil.