Documentos A&M, dos quais Moro é sócio, atestando que o triplex pertencia à OAS – 12/02/2020


Lembremos mais uma vez: a empresa da qual Sergio Moro agora é sócio, Alvarez & Marsal, foi a responsável pela recuperação judicial da OAS – que também foi para a lona na esteira de Lava Jato. A empreiteira está no centro do processo que levou o ex-presidente Lula à prisão. O absurdo é tal, já cheguei lá, que Moro chegou a inventar o prêmio informal de Leo Pinheiro, ex-presidente da empresa.

Em petição enviada ao então juiz Sergio Moro em 19 de abril de 2017, a defesa de Lula exibia dois documentos demonstrando que o triplex do Guarujá não pertencia ao ex-presidente. Na verdade, era propriedade da OAS. E quem listou a propriedade como propriedade do empreiteiro? Nada menos do que Alvarez & Marsal, empresa da qual Moro é agora um sócio honrado e acima de qualquer suspeita. Isso está bem documentado.

O então juiz encolheu os ombros com as evidências e encerrou o caso como se o imóvel pertencesse ao líder petista. Ou outro: ele não acreditou no que certificou a A&M. Moro desconfia do clube que o aceita como sócio. Ele condenou Lula à prisão por ter recebido como suborno um apartamento que não era o seu segundo, atestado pelos agora sócios do ex-juiz.

Poucos lembram que Léo Pinheiro fez dois prêmios. Um primeiro foi cancelado por Rodrigo Janot sem uma explicação clara. Foi alegado descontentamento com vazamentos. Não se sabe o que continha, mas sabe-se que ele não acusou Lula.

Em 20 de abril de 2017, porém, em depoimento a Moro, fora do ambiente de denúncias, Pinheiro disse o que a força-tarefa queria que ele dissesse: disse que a reforma desse triplex seria um prêmio de empreiteiro dado a Lula como fração dos recursos desviados da Petrobras, que existiria na contabilidade informal. Não existe um documento miserável para atestar isso.

E, acredite, num passe de mágica, as negociações para a segunda reclamação de Pinheiro recomeçaram dois meses depois. Nos diálogos revelados por Vaza Jato, o próprio Deltan Dallagnol expressou sua preocupação de que as coisas fossem vistas como eram. Vale dizer: para ele, o acordo de confissão de Pinheiro seria entendido “como um prêmio pela condenação de Lula”. Aqui está o melhor retrato do pleito premiado no Brasil.

Pergunta: Moro hoje acredita na palavra da empresa de que ele é um sócio-gerente? Ou ainda: será que, agora empresário com ganhos milionários, espera que os juízes façam como ele e ignorem o que certifica o SOU?