Economia brasileira cresceu 7,7% no terceiro trimestre, mas mais lenta do que o esperado


RIO DE JANEIRO (AP) – A economia brasileira cresceu 7,7% no terceiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores, informou o instituto nacional de estatísticas nesta quinta-feira – o resultado trimestral mais forte em um quarto de século, mas menos do que o esperado após pesados ​​gastos com estímulos.

É o crescimento trimestral mais rápido desde o início da série em 1996 e confirmou a saída da economia brasileira da recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de contração. Mas a atividade ainda não voltou ao nível visto antes da pandemia do coronavírus.

O Ministério da Economia tinha projeção de crescimento de 8,3% para o período, de acordo com o boletim divulgado em 17 de novembro.

A expansão de julho a setembro coincidiu com o pagamento de verbas de assistência emergencial a mais de 60 milhões de pessoas para mitigar o impacto da pandemia, e também com a reabertura das atividades na maioria dos estados, onde as medidas de quarentena foram relaxadas.

“Os dados são decepcionantes pelo enorme estímulo fiscal que o governo usou para a recuperação da economia”, disse por telefone Emerson Marçal, chefe do Centro de Macroeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, à Associated Press.

O pagamento emergencial, cerca de US $ 110 mensais no terceiro trimestre, ajudou a impulsionar as vendas no varejo e contribuiu para a recuperação da produção industrial, disse Marçal. O fim do auxílio, provisoriamente previsto para dezembro, e a possibilidade de novas restrições à atividade devido ao aumento de casos de coronavírus podem comprometer ainda mais a velocidade de recuperação, acrescentou.

O Brasil confirmou mais de 6,4 milhões de infecções por coronavírus, com 174.000 mortes. Nas últimas semanas, as infecções aumentaram em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O presidente Jair Bolsonaro tem argumentado sistematicamente que o impacto econômico dos bloqueios e outras medidas durante a pandemia seria mais prejudicial ao Brasil do que o próprio COVID-19.

Os bancos brasileiros estimam uma queda de 4,5% no PIB brasileiro para 2020, uma queda menor do que a esperada nas outras grandes economias da região. O Fundo Monetário Internacional projeta uma contração de 8,1% para a região da América Latina e Caribe, sendo o Brasil o menos afetado pela crise.

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