Em carta, novo presidente do Banco do Brasil explica alinhamento com o Bolsonaro

Fausto Ribeiro (Reprodução: Linkedin)

O novo presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Fausto de Andrade Ribeiro, enviou nesta segunda-feira, 5, uma mensagem aos funcionários do conglomerado em seu primeiro ato após a posse na última quinta-feira, 1º de abril.

Na carta, obtida pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), ele prometia “austeridade” nas despesas e acompanhamento da venda e reorganização societária de negócios secundários, movimento já em curso no instituição. Ao mesmo tempo, tentou mostrar alinhamento ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, contrário à privatização da instituição.

A carta veio após uma polêmica. Na esteira da saída de André Brandão, que era executivo de mercado e veio do HSBC dos EUA para assumir o banco público, a escolha de Ribeiro não agradou aos conselheiros do BB.

Na semana passada, o presidente do conselho, Hélio Magalhães, e o conselheiro independente José Guimarães Monforte, devolveram os cargos que ocuparam. Um dos motivos da saída de Brandão foi o anúncio de um forte programa de redução de agências, que desgraçou o Presidente da República.

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“As circunstâncias (da substituição), representadas por restrições inaceitáveis ​​aos atos de gestão, surgiram e impedem medidas eficazes destinadas a avançar no sentido de ganhos de eficiência”, disse Monforte em excerto da sua carta de demissão. “Também acredito que o processo de sucessão na liderança das empresas, principalmente das empresas de capital aberto, não deve ser feito apenas porque elas têm o poder de fazê-lo.”

Alinhamento com Bolsonaro

Mesmo sem citar explicitamente, leu-se que Ribeiro defende o mesmo discurso do presidente Jair Bolsonaro, que é contra a privatização do BB, afirma um funcionário, sob condição de anonimato. De diferentes maneiras, ele afirmou na carta aos funcionários que o conglomerado, que existe há 212 anos, é “patrimônio de todos os brasileiros”.

“O Banco do Brasil é do mercado e é do Brasil”, disse o novo presidente da instituição.

E explicou: “É de mercado, está listada em bolsa, tem que ser lucrativa, competitiva e eficiente no atendimento a mais de 65 milhões de clientes no Brasil e no exterior; e é do Brasil, porque cada brasileiro é um parceiro deste Banco, o que nos torna historicamente comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país. ”

Citando seus colegas do BB, o novo presidente do banco disse que está empenhado em conduzi-lo com “retorno adequado” aos acionistas e “atuar de forma integrada e sinérgica com as diretrizes de seu controlador, o governo federal”. “Não é negociável buscar eficiência, lucros crescentes, rentabilidade compatível com as principais instituições financeiras”, prometeu.

Na carta, Ribeiro listou dez itens que chamou de iniciativas estruturantes e nos quais sua gestão concentrará esforços. Entre os pontos mencionados, ele prometeu acelerar a transformação e inovação digital; compromisso com a austeridade e eficiência na gestão de despesas; priorizar a cadeia do agronegócio; fazer alianças e parcerias estratégicas para ampliar competências que permitam a expansão dos resultados do conglomerado; e realizar desinvestimentos e reorganizações societárias em determinados negócios.

Desafios tecnológicos

Ribeiro disse ainda estar ciente de que o banco “enfrenta enormes desafios” e que o ambiente é desafiador, referindo-se às fintechs e às novas tecnologias como o PIX, o sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, e o open banking, que permitirá partilhar os dados dos clientes.

Para ele, as novas tecnologias “exigem novos modelos de negócios em um ambiente financeiro cada vez mais complexo”.

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