Em lugar de restrições, Castro afirma que shopping centers podem operar 24 horas no estado do Rio


RIO – O governador em exercício Cláudio Castro e o prefeito Marcelo Crivella apresentaram os próximos passos do enfrentamento da Covid-19 no estado do Rio, em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, 4. A expectativa era pelo anúncio da volta das medidas restritas. Castro e Crivella, no entanto, afirmam que os centros comerciais poderão funcionar a tempo inteiro como alternativa para evitar o congestionamento:

– Podemos voltar. Portanto, o apelo é que não precisemos tomar medidas mais duras, que de preferência seriam evitáveis. Fizemos um sacrifício de quase um ano. Por isso apelo à consciência de todos – disse Crivella, apresentando uma alternativa quando se trata de aglomerações. – Shoppings e shopping centers poderão operar 24 horas por dia para que a população não tenha que correr.

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Momentos depois, Castro voltou ao assunto e afirmou que a iniciativa está autorizada a se estender a todo o estado do Rio:

– A medida será válida enquanto você tiver essa situação de crise. Então, quando voltarmos ao normal, vamos definir o fim dessa iniciativa.

O governador em exercício completou:

– Existem medidas de isolamento em vigor. Reconhecemos nossa falha em inspecionar e reforçar isso. Entendemos que medidas bem supervisionadas e ampliação de leitos neste momento são suficientes

Entre as propagandas está a oferta de novos leitos e mais fiscalização para evitar que a população descumpra as regras de ouro, como uso de máscaras e manutenção do distanciamento social. Apesar da posição da comissão técnica da prefeitura, do Ministério Público do Rio e da comunidade médica, em seu depoimento inicial, Castro não deu sinais de que vai voltar atrás nas liberações até o momento.

– A pandemia não foi embora. Vivemos um ano extremamente difícil. Onde todos tiveram perdas incalculáveis, muitos não conseguiram trabalhar. Muitas dificuldades, inclusive erros do poder público. O mundo inteiro estava errado, não éramos diferentes. Precisamos que todos se conscientizem e assumam a responsabilidade de não ter um revés. É preciso usar álcool, distância, uso de máscara. A pandemia não foi embora. Estamos lutando contra um inimigo duro – disse o governador em exercício.

Castro negou ter feito sentido contrário à área técnica:

– Estamos conversando com técnicos de saúde todos os dias. Não estamos desrespeitando a área técnica da saúde – afirmou.

Na quinta-feira, 3, Castro voltou a negar que o estado adote quaisquer novas medidas restritivas, apesar da recomendação dos especialistas que compõem a comissão científica da cidade do Rio de adotar novas medidas de isolamento social. Entre as sugestões está o fechamento de escolas, a proibição de banhistas nas praias e o agendamento de horários de comércio – inclusive bares e restaurantes.

A prefeitura da capital também foi pressionada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a recuar nas decisões relativas às fases de flexibilização do plano que vem seguindo. A agência emitiu recomendação nesta quinta-feira, 3, ao prefeito Marcelo Crivella e à Secretaria Municipal de Saúde para que as regras adotadas sejam compatíveis com os indicadores referentes ao percentual de ocupação de leitos na UTI do município.

O MP analisou os dados do próprio município e concluiu que, desde 20 de novembro, “todos os indicadores entraram em ritmo de piora exponencial, indicando necessidade técnica de regressão de fase”.

Nesta quinta-feira, o Rio registrou 127 mortes e 3.788 novos casos do novo coronavírus. Ao todo, são 365.185 infectados e 22.891 vidas perdidas em decorrência da doença desde o início da pandemia, em março. A média móvel de casos continua subindo pelo sexto dia consecutivo, com uma taxa de 2.737 contaminados por dia, e, como nos últimos dois dias, é a maior desde 22 de agosto. Na rede de saúde, que, segundo especialistas, já está entrando em colapso novamente, a situação é de muita pressão por leitos, principalmente na capital, onde há 99% de ocupação em leitos exclusivos para coronavírus oferecidos pela cidade, e 92% na rede SUS regulamentada pelo município. Em todos os estados, há fila de espera de 216 pacientes para vagas de UTI, 86% preenchidas.