Especialistas demonstram como o ônibus BR-381 bateu


A Polícia Civil de Minas Gerais explicou, em entrevista coletiva à tarde, como o ônibus bateu no acidente da BR-381, na época de João Monlevade (MG), que deixou 18 mortos e 23 feridos. A perícia estima que o veículo sofreu duas colisões: uma na traseira, a 26 metros do viaduto do qual desabou, e a outra frontal, a 34,5 metros.

A especialista criminal Daniella Rodrigues Caldas Leite disse que o ônibus estava subindo uma subida de 4 graus quando mudou de marcha, perdeu o controle e saiu à esquerda da ponte. A delegada usou seu smartphone para fazer uma demonstração aos profissionais da imprensa que estiveram na sede da Polícia Civil esta tarde.

Segundo a explicação, o veículo caiu da lateral do viaduto, conhecido como Ponte Torta, e bateu com a traseira no solo, a 26 metros de altura. Com o impacto da colisão, o ônibus deu uma guinada em seu próprio comprimento e atingiu a frente em outra parte da área, localizada 34,5 metros abaixo do viaduto.

O terreno abaixo da ponte é irregular, então a primeira colisão ocorreu a 26 metros [do viaduto] atrás. Depois fez uma curva longitudinal e desta vez sofreu uma colisão frontal a 34,5 metros da ponte, onde ficou até ser retirada
Daniella Rodrigues Caldas Leite, perita criminal da Polícia Civil

O perito aguarda o resultado da análise para saber se houve alguma falha no veículo que causou o acidente. Um sobrevivente do acidente disse que o motorista perdeu a frenagem, não deu nenhum aviso aos passageiros e saiu da direção para pular do ônibus. Ainda não há informações sobre a velocidade com que o ônibus viajou na rodovia.

Mapa mostra onde o ônibus caiu do viaduto em Minas Gerais

Imagem: Reprodução / Google Arte / UOL

O acidente

O veículo, que transportava 46 passageiros na época da tragédia, saiu de Mata Grande (AL) com destino a São Paulo. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que a JS Turismo é proprietária do ônibus e não está autorizada a transportar passageiros.

Esta manhã, a polícia divulgou a identidade de 13 das 18 vítimas. A lista, segundo a polícia, foi obtida por meio de pesquisas realizadas por investigadores. Tavares afirmou que não houve contacto com a JS Turismo e que tudo o que se soube sobre a empresa foi através da imprensa.

‘Rodovia da morte’

A BR 381 é conhecida como a “rodovia da morte” devido ao número de acidentes e mortes que ocorrem na área.

“É uma das rodovias com maior número de óbitos em toda a análise do contexto brasileiro, até por ser bastante utilizada por todos os estados. Essa rodovia tem trechos com pista simples e com pontes e curvas perigosas. Motoristas e extremos causando muitos acidentes “, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros em entrevista à CNN.

O chefe de comunicação da PRF-MG, Aristides Júnior, disse que apesar da fama da rodovia, o local onde o ônibus bateu não é em uma área com histórico de acidentes: “Isso não é um acontecimento que ocorre com muita frequência na local “, disse ele à Globonews.

Procurado por Twitter, o Ministério da Infraestrutura informou que entregou, desde 2019, 49,7 quilômetros de vias duplicadas da BR-381, além de obras como pontes, viadutos, túneis e travessias de pedestres. No entanto, a carteira não comentou uma data específica para a execução das obras no trecho em que ocorreu o sinistro.

“O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) é responsável por 4 dos 11 lotes de obras de duplicação e melhoria da BR-381 / MG, ao longo de 303 quilômetros entre as cidades de Belo Horizonte (MG) e Governador Valadares (MG)”, disse a pasta em uma nota.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou em uma rede social que ficou “chocado” com o ocorrido e disse que todo o aparato do governo mineiro foi colocado à disposição das vítimas. Em entrevista à Globonews, ele chamou a BR-381 de “estrada da morte” e disse que ela deveria ter sido duplicada há pelo menos 30 anos.