Especialistas destacam a importância do exercício da fé durante a pandemia – Virtz

As restrições impostas à sociedade por causa da nova pandemia de coronavírus levantaram debates sobre o que é essencial e o que pode ser fechado durante as fases mais difíceis do isolamento social. Nesta segunda-feira (5) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar proibiu a realização de serviços, missas e outras cerimônias religiosas com presença pública em São Paulo, ao contrário do que o seu colega Nunes Marques tinha decidido no sábado.

Para muitos profissionais que atuam na área de saúde e desenvolvimento pessoal, a fé e a espiritualidade são importantes em tempos de angústia e incerteza social. Portanto, manter igrejas e templos abertos é essencial neste momento, na opinião deles.

“A religião teve um papel crucial ao longo dos séculos, com templos e igrejas abertos, mantendo as pessoas vivas, felizes. E deixar as igrejas fechadas tira isso das pessoas”, diz o pedagogo Felipe Nery, professor graduado da Faculdade de Direito do Santo Universidade Católica Toribio de Mongrovejo em Lima, Peru, e presidente do Instituto Sophia Perennis.

“Acredito que o ataque à fé tenha sido imenso durante a pandemia e, para mim, é evidente que as igrejas, em geral, sempre desempenharam um papel fundamental nestes momentos de epidemias e pandemias da história da humanidade”, ele completa.

Ao defender a abertura de espaços religiosos, Felipe não descarta a ciência, pelo contrário. “As pessoas unem as duas coisas, razão e fé. Não são inimigas, nunca serão. Fé e razão estão unidas”, acredita. E ele pergunta: “Qual é a diferença entre sentar-se em um templo assistindo a um serviço religioso e sentar-se à mesa de um restaurante?”

“O mais difícil para quem tem fé é não poder ir à igreja, ao templo, em busca de conforto, conforto. Seu parente está no hospital e você não pode visitá-lo, ele não pode zelar pelos seus mortos e está ainda privado de encontrar abrigo em um espaço religioso. Isso não ajuda ninguém ”, diz Felipe.

Fé primeiro

O psiquiatra Davi Vidigal, com mais de 30 anos de experiência no consultório, concorda com a pedagoga. Davi considera os espaços religiosos essenciais para manter a esperança e acolher as pessoas, principalmente aquelas que sofreram perdas ou têm medo da cobiça-19.

“Acho que as igrejas, em geral, deveriam ter as portas abertas 24 horas por dia. Ter uma figura religiosa ali que recebe as pessoas, que as acolhe, para oferecer um remédio para a alma”, diz.

O psiquiatra se dedicou, há alguns anos, a pesquisas em todo o país. Em um deles, ele entrevistou mais de 1.200 pessoas com uma pergunta simples: ‘O que é felicidade para você?’. Em resposta, a fé veio primeiro, diz o médico.

Davi diz que essa resposta espontânea confirma sua observação em décadas de consultoria. “Com meus pacientes, pude ver claramente a melhora naqueles que tinham fé e uma espiritualidade forte, independentemente da religião que seguissem”, diz ele. “Em geral, eles tiveram mais adesão ao tratamento e melhor recuperação”.

Templos abertos, mas não lotados

Para a obstetra e ginecologista Julia Barbi Melim Marques, ter fé pode fazer a diferença na vida das pessoas. “Já temos artigos e pesquisas científicas que comprovam a importância da fé na melhora do paciente, na prevenção da depressão”, afirma.

Julia acredita que, portanto, é muito importante que os espaços religiosos sejam reabertos com todo o cuidado para receber um número menor de pessoas, no respeito à distância social e sem promover aglomerações. “Se compararmos, em um restaurante, por exemplo, mesmo com restrições, as pessoas ficam muito mais próximas e tiram a máscara para comer. Isso não vai acontecer em uma igreja”, afirma.

“Se houver um templo aberto, uma igreja, e a pessoa conseguir marcar um horário para ir lá em uma semana, pode ter muito impacto na saúde emocional e no enfrentamento da pandemia”, defende Julia.

Davi concorda com o médico e afirma que, assim como devemos buscar, como seres humanos, alimentos saudáveis ​​para o corpo, devemos buscar também alimentos para a alma. Por isso, Davi defende que igrejas e templos são serviços essenciais, “assim como mercados, farmácias, postos de gasolina e restaurantes com ocupação reduzida”.

“Se o ser humano perder a esperança, que está profundamente ligada à fé, o impacto negativo da pandemia será muito maior. A verdadeira fé é libertadora, faz com que as pessoas vão para a luta e se posicionem, busquem mudanças de hábitos, recursos médicos “, ele acredita.

“Essa pandemia, pode ter certeza, vai passar e outras virão, como já aconteceram, e o mundo não acabou. A fé nos esclarece e nos ajuda a enfrentar melhor tudo o que estamos passando”, finaliza Davi.

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