Falta de água pode chegar nesta quarta-feira a 22 bairros do Rio e 3 cidades da Baixada; Cedae diz que vai avaliar ressarcimento de moradores | Rio de Janeiro


Há duas semanas, um dos motores quebrou, reduzindo a capacidade de bombeamento de água para 75%.

Após 15 dias, a Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) passou a divulgar na terça-feira (1º) um mapa com as regiões atingidas. Paralelamente, a empresa está rotacionando o fornecimento para minimizar transtornos à população.

Mapa da Cedae – Foto: Reprodução

Confira as regiões onde pode faltar água nesta quarta-feira:

  • Na Zona Sul: Botafogo, Leme e Urca
  • Na Zona Norte: Tijuca, Vicente de Carvalho, Vila Cosmos, Colégio, Coelho Neto, Cordovil, Parque Columbia, Costa Barros, Pavuna, Anchieta, Guadalupe
  • Na Zona Oeste: Bangu, Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Santa Cruz, Sepetiba e Pedra de Guaratiba
  • Na Baixada Fluminense: Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti

Elevador do Lameirão – Foto: Reprodução

No bairro Jardim Maravilha, em Guaratiba, os moradores sofrem com a falta de abastecimento.

Em um ato de solidariedade, um morador decidiu comprar água e distribuí-la aos vizinhos.

Outra moradora disse que sofre de escassez há duas semanas e não consegue obter ajuda da Cedae, mas a conta costuma chegar todo mês.

Ela mora com a mãe, de 73 anos, hipertensa e diabética, e o filho de 5 anos, que sofre de bronquite, e diz que tem água na rua principal do bairro.

“Para ter água aqui tínhamos que comprar, porque liguei para a Cedae, pedi a caixa d’água, eu até tenho o número do protocolo, não peguei a água. Aí eu tomei banho na casa do vizinho três dias .que ruim essa situação, tive que comprar água. Comprei 3 mil litros de água para poder encher aqui em casa e custou R $ 150. Então, é um absurdo como todo mundo está morando aqui ”, disse Márcia.

“Confesso que tive de pedir dinheiro emprestado. Agora que saiu a primeira prestação da minha 13ª, paguei à vizinha, porque também não tinha aquele dinheiro em casa.”

Outros residentes também reclamam:

“Água entrando muito pouco e muito ar girando no medidor de água”.

“Ele mora em Quintino e eu sou gerente. A pressão da água, desde o início do problema, está abaixo da metade.”

O prazo para reparo é 20 de dezembro

O governador interino do Rio, Cláudio Castro, disse que o situação é complexa e que o O prazo para o sistema voltar a 100% da capacidade é 20 de dezembro.

“É algo que tinha que ser resolvido antes. Estourou aqui, mas esse motor já estava chegando, a informação que tenho é que já foi licitado desde o ano passado. O material chegaria aqui durante a pandemia. Há um cobre que só se faz no Chile e que por causa da pandemia de lá não dá para importar ”, disse Castro.

“Então, tudo isso criou uma dificuldade, não é um problema simples, um erro simples, que a gente pega uma chave e resolve”.

“Está sendo resolvido, o prazo é que entre 15 e 20 de dezembro esteja totalmente resolvido. E estamos trabalhando todos os dias para que isso seja antecipado”, acrescentou.

Para reduzir os impactos, o Cedae recomenda que as pessoas economizem água durante esse período e anunciou outras medidas:

  • Ações operacionais e manobras do sistema redirecionar e equilibrar a distribuição de água nas redes de abastecimento;
  • Serviço prioritário com caminhões-pipa para hospitais e serviços essenciais;
  • Disponibilidade de caminhões pipa para atender a população Pelo telefone 0800 282 11 95;
  • Criando um Escritório de crise para monitorar as ações.

Presidente da Cedae fala sobre o problema da falta de água no estado do Rio

Em entrevista ao Bom Dia Rio, o presidente da Cedae, Edes Fernandes de Oliveira, disse que o foco atual é corrigir a falha e que é um problema “crítico e sem precedentes”.

Segundo ele, durante a pandemia, era difícil conseguir matéria-prima suficiente para fazer o conserto e não havia motor reserva.

“O motor que teve problema no dia 14 de novembro já está em processo de conserto. (…) A empresa [que faz o reparo] alegou a dificuldade da pandemia em obter a matéria-prima. É algo que saiu do controle da Cedae. Ela já obteve a matéria-prima e estamos trabalhando para que esses prazos sejam encurtados o mais rápido possível para que possamos trabalhar com o elevador a 100% e podermos estabelecer a normalidade do elevador ”, diz Oliveira.

“Também estamos trabalhando na recuperação preventiva de outros motores que ainda não nos deram problema, ou seja, estamos trabalhando para resolver o problema e restaurar não só o abastecimento normal, mas também a segurança operacional da estação elevatória”.

Segundo ele, um Escritório de crise, com representantes da empresa, do Ministério Público, da Defensoria Pública e de outros órgãos, já foi criado para auxiliar na resolução do problema operacional e dar transparência a todo o processo.

Sobre um possível desconto na conta de água, Oliveira disse que o consumidor que se sentir prejudicado e não tiver um medidor de consumo – que mede o que realmente é consumido – deve procurar a Cedae para avaliar um possível reembolso.

“Quem não tem medidor de consumo e se sente prejudicado vai acionar a Cedae e a Cedae vai fazer um balanço dessas contas nas regiões onde falta água para fazer uma revisão de contas”.

Moradores que tiraram dinheiro do próprio bolso e pagaram caminhões de água para ter água e poder cozinhar, tomar banho e escovar os dentes, também podes contactar a Cedae.

“Eles vão, claro, poder entrar com um processo administrativo na Cedae para que a Cedae possa rever isso e fazer o tratamento necessário dessas questões lá”.

Oliveira garante que o processo é simples, mas não soube especificar o prazo de resposta.

“Esse processo é um processo simples, não é um processo longo, não, as pessoas podem entrar, vai ser analisado pela nossa equipe comercial e respondido dentro do prazo (…) não tenho exatamente esse prazo porque é um procedimento administrativo comercial, eu precisaria verificar qual é o prazo dentro do procedimento administrativo da Cedae ”, disse.

Sobre o morador de Guaratiba que pediu o caminhão-pipa, o presidente da Cedae disse que a avaliação é feita “caso a caso”. O objetivo é saber se este é um problema específico ou se está relacionado com a avaria do Elevador do Lameirão.

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