Fiocruz alerta para mortes em domicílios e desabamento em hospitais


RIO – O número de mortes dentro das residências, sem assistência médica, voltou a aumentar na cidade do Rio de Janeiro. O número total de óbitos no município também subiu acima da média. Os dados divulgados na tarde desta terça-feira, 1º, pela MonitorCovid19, da Fiocruz, indicam que o sistema de saúde da cidade pode estar à beira do colapso, em meio ao avanço da pandemia covid-19. Nota da UFRJ divulgada na véspera alertava para o problema.

O município teve um excedente de 27 mil óbitos desde abril, ante a média dos anos anteriores no mesmo período – 13 mil causados ​​pela covid-19 e outros 14 mil ligados a outras doenças, como câncer e diabetes, confirmando a precariedade de cuidado em geral.

O “expressivo” aumento dos óbitos ocorridos em casa (de dez mil no mesmo período do ano passado para 14 mil neste ano), sem assistência médica e por causas mal definidas, revela, segundo nota técnica da Fiocruz, “uma situação de falta de atendimento geral, que não se restringe aos hospitais, mas também à rede básica e ao sistema de vigilância em saúde ”.




Paciente Covid-19 internado em UTI hospitalar de Porto Alegre (RS) 19/11/2020 REUTERS / Diego Vara

Foto: Reuters

Mesmo as mortes por covid-19 ocorridas dentro dos hospitais foram, em sua maioria, fora das UTIs, o que demonstra, segundo a nota, a incapacidade de manejar adequadamente os casos mais graves da doença. “Esses números mostram que o sistema de saúde da cidade do Rio voltou a dar sinais de colapso”, finaliza a nota técnica.

“O conjunto desses indicadores aponta fortemente para a incapacidade do sistema municipal de saúde em lidar com os casos graves da doença”, avaliou o coordenador da MonitoraCovid19, Christovam Barcellos. “Eles também indicam que podemos estar próximos de um novo colapso do sistema, já que os novos casos, que vão gerar uma demanda ainda maior por atendimento, estão aumentando de forma rápida e preocupante”.

Nota divulgada na véspera pelo grupo da UFRJ vai na mesma linha, alertando para o aumento acelerado dos casos de covid-19 no Rio. a primeira vaga da infecção foi devidamente eliminada, o que “torna o problema ainda mais grave e complexo”, segundo os especialistas.

“Estamos diante de uma situação muito preocupante no município do Rio”, diz a nota. “O aumento de casos já está causando grande estresse no sistema de saúde (…). A média móvel de sete dias do percentual de ocupação do leito do Sistema Único de Saúde (UTI adulto) dedicado à covid-19 na região Metropolitana I é de 93,5%. A média móvel de sete dias do percentual de ocupação dos leitos da rede SUS no município é de 102,1%. Ou seja, não há vagas para internação ”.

Coordenador do grupo da UFRJ, o infectologista Roberto Medronho afirma que, falando exclusivamente do ponto de vista técnico, o ideal seria um novo bloqueio na cidade.

“Achamos que essa recomendação cairia no vazio, por isso sugerimos algumas medidas para encerrar eventos sociais e culturais, como praias e shows”, disse Medronho. “A questão do transporte público também precisa ser revista, assim como o agendamento do horário de funcionamento dos bares e restaurantes. Ou seja, há medidas a serem tomadas, além do bloqueio, que podem ter um impacto significativo na curva. ”

Especialistas temem que as festas de fim de ano agravem ainda mais o problema, devido a festas com muitas pessoas e viagens. “Eu também queria passar o Natal com minha mãe de 88 anos, como faço todos os anos”, disse Medronho. “Mas, infelizmente, isso não é possível este ano.”

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