FMI diz que Brasil deve se preparar para ampliar ajuda e estimular economia – 02/12/2020 – Mercado


O fim dos estímulos econômicos, como socorros emergenciais, e a persistência da nova pandemia do coronavírus, que incentiva o isolamento social, reduzirão o consumo das famílias e afetarão a recuperação econômica do Brasil.

O cenário de restrição consta de relatório sobre o Brasil, divulgado nesta quarta-feira (2), pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Na avaliação do Fundo, o país sofrerá com uma retirada abrupta das medidas de estímulo econômico adotadas pelo governo, uma vez que persistem os efeitos da crise de saúde gerada pela pandemia.

No relatório, a instituição afirma que as autoridades devem estar preparadas para dar suporte adicional na área tributária. A instituição já havia feito advertências nesse sentido em seus últimos documentos.

Ele disse ainda que o Banco Central deve considerar um afrouxamento ainda maior da política monetária, ou seja, avaliar novos cortes na taxa básica de juros caso a inflação e as expectativas de inflação permaneçam abaixo da meta, mas com monitoramento cuidadoso das implicações para a estabilidade dos fluxos financeiros e de capitais. Atualmente, a taxa básica de juros no Brasil, a Selic, está em 2% ao ano.

Na terça-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a negar a extensão do socorro emergencial. O benefício, atualmente no valor de R $ 300, é pago pelo governo para amenizar os impactos da pandemia no orçamento familiar e termina em 31 de dezembro.

O FMI também afirmou a necessidade de aprovar uma reforma tributária abrangente, acelerar o ritmo de novas concessões e privatizações e finalizar acordos comerciais.

Para equilibrar o orçamento, a sugestão é reduzir os gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária, fortalecer a rede previdenciária e voltar a reformar a Previdência, além de manter o teto constitucional de gastos.

As estimativas do FMI são de queda do PIB de 5,8% em 2020, seguida de “recuperação parcial” para 2,8% em 2021. As estimativas são mais pessimistas do que as do boletim Focus do Banco Central, com projeções de mercado, que apontam queda de 4,5% e 3,45% de crescimento nesses dois anos.

Para o Fundo, a inflação deve ficar abaixo da meta até pelo menos 2023, dada a significativa ociosidade da economia. A dívida bruta chegaria a 100% do PIB no próximo ano.

“Os efeitos persistentes da crise de saúde e a expectativa de retirada do apoio fiscal restringirão o consumo, enquanto o investimento será prejudicado pela capacidade ociosa e elevada incerteza”, afirma a instituição ao comentar as projeções de crescimento para 2020 e 2021.

Os diretores elogiaram a forte resposta das autoridades à crise, “que evitou uma desaceleração econômica mais profunda, estabilizou os mercados financeiros e amorteceu os efeitos sobre os pobres e vulneráveis”.

O Fundo diz, no entanto, que os estímulos devem se concentrar em limitar os efeitos marcantes da pandemia, garantindo a sustentabilidade da dívida no médio prazo.

De acordo com o Fundo, as medidas na área econômica totalizaram 18% do PIB brasileiro, sendo cerca de 11% do PIB aquelas com impacto fiscal.

“A resposta política evitou uma desaceleração econômica mais profunda, estabilizou os mercados financeiros e amorteceu a perda de renda para os mais pobres. A atividade de varejo e industrial voltou aos níveis anteriores à Covid no terceiro trimestre, mas o setor de serviços continua deprimido, com um impacto negativo sobre o emprego ”, afirma o Fundo.

“A maioria dos diretores [do Fundo] enfatizou que as autoridades devem estar preparadas para fornecer apoio direcionado adicional e saudou a disposição das autoridades de considerar esta possibilidade. Vários diretores também alertaram contra uma retirada abrupta do apoio fiscal. ”

O relatório é o resultado da visita anual de uma equipa de técnicos do Fundo ao país, apresentado ao Conselho de Administração do FMI, e exprime as opiniões dos directores executivos da instituição, que são encaminhados às autoridades nacionais.

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