Fotos antigas circulam nas postagens como se fossem um assalto em Criciúma


Por Luiz Fernando Menezes

1 ° de dezembro de 2020, 15h


Em Criciúma (SC), grande parte das fotos que compõem uma galeria (veja aqui) que vêm sendo compartilhadas nas redes sociais não foram registradas como se fossem registros de roubo de agência do Banco do Brasil na madrugada desta terça-feira (01) . Das 13 imagens, pelo menos seis delas foram obtidas em outras situações. Um, que mostra os destroços de um helicóptero, nem mesmo é o registro de um crime.

O álbum com as imagens acumulou pelo menos 34 mil compartilhamentos no Facebook até a tarde de hoje e foi marcado com o selo DISTORTED na ferramenta de verificação (veja como funciona). Essa classificação é usada em publicações que misturam informações verdadeiras e falsas.


DISTORCIDO

Logo após o assalto à agência do Banco do Brasil em Criciúma (SC), entre a noite de segunda-feira (30) e a manhã de terça-feira (01), uma galeria com 13 fotos que supostamente mostram registros de crimes. O assalto, que chamou a atenção pela extrema violência dos criminosos e pela escala do ataque, teve troca de tiros, queimou veículos e até civis que foram feitos reféns. Algumas imagens da peça mostram cenas desse caso, mas outras são de roubos antigos.

Fotos descontextualizadas. Conforme verificado pelo Os fatos por meio de busca reversa, 6 das 13 imagens que compõem a galeria não foram registradas durante ou após o assalto na cidade de Santa Catarina.

A primeira imagem fora de contexto mostra um homem armado usando máscara e capacete andando pela rua. O recorde, aliás, é de dezembro de 2019, quando uma quadrilha assaltou uma agência da Caixa em Botucatu, no interior de São Paulo. O crime foi registrado por uma câmera de segurança local.

A foto que mostra os destroços de um helicóptero em um matagal também não foi tirada em Criciúma. A imagem, divulgada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais, é de um caso ocorrido em junho de 2018 no Espírito Santo do Dourado (MG). Na época, um helicóptero de luxo caiu em uma área rural da cidade. O acidente matou o empresário Márcio Bissoli e o piloto da aeronave, Luiz Gustavo Araújo Soares.

Outra imagem fora de contexto é aquela que mostra uma porta de cofre aberta e ferramentas como brocas e cabos caídos no chão. Conforme noticiado pela imprensa goiana, trata-se de um registro de invasão a uma agência do Banco do Brasil em Anápolis (GO) em abril deste ano.

A imagem que mostra três homens encapuzados e armados invadindo uma agência bancária também não retrata o assalto de Criciúma. A mesma foto foi publicada pelo site Agora no vale para ilustrar um assalto à margem do Vale Verde (RS) em agosto de 2019.

A foto que mostra um corredor com ferramentas e entulhos também foi descontextualizada. A imagem apareceu pela primeira vez em um noticiário (aqui e aqui) sobre uma tentativa de assalto a uma agência bancária em Tangará da Serra (MT) em fevereiro de 2019 e é indicada pela polícia local.

Uma foto mostrando um assalto a uma agência bancária em Ourinhos (SP) em maio de 2020 também compõe a galeria. Como se pode verificar na reportagem do Jornal da Record divulgada no dia 2 daquele mês, a imagem dos criminosos atirando para o ar foi gravada por uma câmera de segurança.

Fotos atuais. As outras sete imagens da galeria, porém, foram publicadas recentemente nas redes. Enquanto o Os fatos conseguiram constatar que três delas foram levadas em Criciúma, as outras quatro apresentam indícios de terem sido gravadas durante ou momentos após o assalto.

A imagem que mostra várias notas de dinheiro jogadas nas ruas é um imprimir um video que começou a circular nas redes na madrugada desta terça-feira no Twitter e que foi publicado pela DCM. Sem autoria específica, o vídeo mostra homens recolhendo notas do chão que teriam sido deixadas pelos agressores. Vale ressaltar que a polícia prendeu quatro homens que arrecadaram cerca de R $ 810 mil deixados em vias públicas.

Outra imagem que foi publicada pela imprensa local para retratar o caso é a que mostra uma van no meio da rua e homens aparentemente feitos reféns. De acordo com ND, a foto mostra um registro feito por volta das 12h10 desta terça-feira, quando os criminosos mantiveram os reféns sentados na rua.

Outra imagem publicada entre a noite de ontem e a madrugada de hoje como sendo atual é a que mostra um suposto explosivo perto de um poste. A imagem foi veiculada na imprensa local como um registro das bombas deixadas na praça Nereu Ramos, em Criciúma.

A foto que mostra uma mão segurando conchas também parece ter sido gravada após o ataque. O Os fatos encontrou a imagem apenas em publicações recentes, como a de Notícias OCP É de Notisul, mas não há indicação de autoria ou um contexto detalhado dos registros. A reportagem pediu mais informações sobre a foto desta terça-feira (1º), mas não obteve resposta.

As duas imagens que mostram pessoas no topo dos prédios também parecem ser um registro feito na cidade de Santa Catarina esta manhã. As fotos aparecem pela primeira vez em um tweet de um perfil pessoal publicado às 2 da manhã de hoje. O Os fatos contatou o autor para pedir informações sobre o cadastro, que explicou que a foto foi enviada por um parente que mora na cidade e mostraria criminosos no topo dos prédios.

O Os fatos no entanto, ele não encontrou a fonte de uma das fotos da galeria, que mostra um incêndio em uma área urbana. A busca reversa da imagem mostra apenas que ela foi compartilhada por perfis pessoais nas redes para ilustrar o caso, mas sem indicar local ou autoria. É fato, porém, que criminosos atearam fogo em veículos para impedir a ação policial, como se verifica no NSC total:

O caso. Na noite passada, uma gangue fortemente armada de cerca de 30 pessoas invadiu uma agência do Banco do Brasil localizada no centro de Criciúma. A ação, considerada a maior da história de Santa Catarina, durou cerca de 1h45min e terminou com policial e guarda feridos.

Até a publicação desse cheque, a polícia ainda não havia estimado o valor roubado pelos criminosos. Para G1, o banco disse que não informou “valores subtraídos” durante o ataque e que não há previsão de quando a agência irá reabrir. Após o ataque, o PM apreendeu 10 veículos usados ​​pela gangue em um milharal localizado em uma cidade próxima, mas nenhum suspeito foi preso.

Uma verificação semelhante foi produzida pelo e-scams.

Referências:

1 G1 (Fontes 1, 2 e 3)
dois. Estado de minas

3 – A Hora

4 – Jornal goiano

5 Agora no vale

6 Sonoticias

7 Nativa News

8. Registro
9 DCM

10 ND

11 HC News

12 Notícias OCP

13 Notisul

14 NSC total

15 Folha de S.Paulo

16 Twitter