Gang invade cidade brasileira para roubo de banco



Policiais militares carregam uma sacola cheia de dinheiro deixado por assaltantes de banco armados, em Criciúma, Santa Catarina, Brasil, terça-feira, 1º de dezembro de 2020. Dezenas de criminosos armados com fuzis invadiram a cidade no sul do Brasil durante a noite e assumiram o controle das ruas enquanto eles assaltavam um banco local. (Guilherme Hahn / Futura Press via AP)

RIO DE JANEIRO – Dezenas de pistoleiros armados com fuzis invadiram uma cidade no sul do Brasil na noite de terça-feira e tomaram o controle das ruas enquanto assaltavam um banco.

Vídeo transmitido pela Rede Globo de TV mostrou encapuzados vestidos de preto andando pelas ruas de Criciúma, no estado de Santa Catarina, e moradores sendo mantidos como reféns durante a ocupação, que começou por volta da meia-noite e durou quase duas horas. Os tiros ecoaram pela cidade de cerca de 220.000 pessoas.

Pelo menos 30 agressores e 10 carros estiveram envolvidos na operação bem planejada, disse Anselmo Cruz, chefe do departamento de roubos e sequestros da polícia estadual, em entrevista coletiva, falando ao lado do governador e do prefeito.

Os agressores bloquearam o acesso à cidade – inclusive com veículos em chamas – para evitar que os reforços da polícia respondessem rapidamente e implantaram explosivos no assalto.

Os pistoleiros trocaram tiros com policiais no centro da cidade e em uma delegacia, informou a Polícia Militar de Santa Catarina em uma conta oficial no Twitter. Duas pessoas ficaram feridas no tiroteio: um segurança e um policial, que foi baleado no abdômen e permaneceu hospitalizado em estado grave na terça-feira.

“Foi uma ação inédita para o estado. Nunca houve nada com esse alcance, essa violência”, disse Cruz em entrevista à Rede Globo. A rede de televisão citou-o dizendo que os ladrões dispararam balas com calibres capazes de derrubar um helicóptero.

Imagens da Globo mostravam um cofre de banco com um buraco quadrado e um comboio de veículos de criminosos em fuga. As contas estavam espalhadas pelo chão em uma área da cidade, e o jornal Folha de São Paulo informou que a polícia prendeu várias pessoas que coletaram $ 150.000 em notas.

Posteriormente, a polícia encontrou os veículos dos agressores em um milharal de um município vizinho. O interior de alguns carros estava manchado de sangue, indicando que alguns dos atiradores foram atingidos por balas da polícia, informou a polícia catarinense em seu Twitter.

O Banco do Brasil, administrado pelo Estado, informou em comunicado por e-mail que sua agência em Criciúma permanecerá fechada e que não fornece informações sobre o valor do dinheiro retirado. Ele não respondeu a um pedido da AP para comentar sobre relatos da mídia de que a filial era um tesouro regional.

O roubo de bronze lembra outro ocorrido em julho na cidade de Botucatu, no interior de São Paulo. Lá, cerca de 30 homens armados explodiram uma agência bancária, fizeram reféns residentes e trocaram tiros com policiais antes de fugir.

A semelhança entre os dois ataques indica que eles podem ter sido coordenados por uma das poderosas redes do crime organizado e do tráfico de drogas no Brasil, disse Cássio Thyone, membro do conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sem fins lucrativos. Esses incidentes ocorreram com certa frequência na última década, disse ele.

“O crime mudou para o interior; cidades que não sofriam com o crime tornaram-se vulneráveis ​​por causa de suas características”, disse Thyone, destacando a presença limitada da polícia e menos pontos de acesso.

O prefeito de Criciúma, Clesio Salvaro, acessou o Twitter durante a noite, enquanto o ataque ainda se desenrolava, para alertar os moradores sobre o “roubo de grandes proporções, por ladrões muito bem preparados”.

“Como prefeito de Criciúma, peço que você fique em casa, não saia de casa, tenha todos os cuidados”, disse Salvaro em um vídeo que postou pouco antes das 2 da manhã de terça-feira. “Conte aos seus amigos e familiares. Deixe a polícia fazer o trabalho deles.”

Thyone disse que o ataque refletiu uma falha na coleta de inteligência, uma falta de integração entre as forças de segurança e que a polícia local não está preparada para enfrentar ameaças dessa magnitude.

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