Governo federal planeja vacinar 51 milhões no primeiro semestre de 2021


BRASÍLIA – O governo federal pretende imunizar 51,4 milhões de pessoas contra a Covid-19 no primeiro semestre de 2021. A informação consta do plano nacional de vacinação entregue neste sábado (12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um dos processos que resolvam a questão no tribunal.

Uma nota técnica que acompanha o material confirma a manutenção dos grupos prioritários informados durante a semana pelo Ministério da Saúde e faz a estimativa.

São Paulo:Doria reafirma vacinação em janeiro mesmo que governo federal solicite CoronaVac

O documento confirma a manutenção dos grupos prioritários informados durante a semana pela carteira, mas não apresenta data para o início da vacinação dos integrantes desses grupos, que incluem profissionais de saúde e idosos, entre outros.

O plano menciona que o Brasil já tem acordos para a aquisição de 100,4 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, AstraZeneca e Fiocruz para serem entregues até julho de 2021, além de mais 30 milhões de doses no segundo semestre. A aquisição de 42,5 milhões de doses também é relatada por meio da iniciativa Covax Facility. E ainda na conta, como “em negociação”, 70 milhões da Pfizer.

Brasília:Ainda não há pedido de uso de vacina de emergência no Brasil, segundo a Anvisa

Não consta o memorando de intenção de compra assinado com o Instituto Butantan para a aquisição do CoronaVac, desenvolvido em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Mas o material deixa em aberto a possibilidade de inclusão de outros imunizantes: “O Governo Federal concederá crédito extraordinário para a aquisição de toda e qualquer vacina que adquirir registro de forma emergencial ou regular que apresente eficácia e segurança para a população brasileira”.

Isso permite a inclusão do CoronaVac, opção do governo de São Paulo para a campanha estadual de vacinação a partir de 25 de janeiro, embora ainda não tenha sido aprovado pela Anvisa. O imunizador está no centro de uma disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Pesquisa:cresce número de brasileiros que não pretendem receber vacina contra Covid-19

Nas últimas semanas, o governo federal foi criticado por não apresentar um plano nacional de vacinação ou por sugerir que não incluiria o CoronaVac em seu planejamento. Outros políticos se manifestaram sobre o conflito: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), declarou ao GLOBO que “’Não acredito que diante de uma pandemia a política de vacinação não seja nacional’. Dino (PCdoB), fez firmou interesse de compra no Instituto Butantan e ajuizou ação no STF para autorizar plano estadual e importar vacinas.

A primeira fase incluirá trabalhadores de saúde, idosos com mais de 75 anos, idosos com mais de 60 anos que estão em asilos e a população indígena. Esse público é estimado em 14 milhões de pessoas.

Nos Estados Unidos:‘Ciência e dados guiaram a decisão’, disse o chefe do FDA, após a autorização de vacina de emergência nos EUA

Na segunda fase, estão as pessoas de 60 a 74 anos, que somam 21,3 milhões. O terceiro é destinado a pessoas com comorbidades, uma população estimada em 12,6 milhões. A quarta fase inclui professores, trabalhadores das forças de segurança e resgate e funcionários do sistema prisional, um público de 3,3 milhões.

No plano, o governo diz que, para atender essa população, ela precisa de 108,3 milhões de unidades do imunizante, levando em consideração a aplicação em duas doses e o cálculo das vacinas que acabam sendo desperdiçadas no processo.

Pandemia na Ásia:Japão e Coreia do Sul quebram recordes de novos casos de coronavírus em um único dia

O plano tem como contra-indicação a aplicação do imunizante em menores de 18 anos, bem como em gestantes, além de pessoas que apresentem reação alérgica a qualquer componente da vacina.

Uma solução tecnológica está sendo desenvolvida pelo Datasus para controlar e monitorar o grupo que será vacinado. A ideia é que um QR-Code seja disponibilizado a quem integra o público-alvo no aplicativo Connect SUS para fazer a identificação, mas o documento aponta que quem não tiver esse código não será vacinado.

O documento também revela como será a campanha publicitária sobre o tema, que terá como lema: “Vacinação contra a Covid-19, o Brasil está em ação para sua proteção”.