Hangar da Força Aérea Brasileira estava sendo construído por escravos famintos: autoridades


RIO DE JANEIRO (Fundação Thomson Reuters) – Sete trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão, onde dormiam no chão e comiam formigas enquanto construíam um hangar para a Força Aérea Brasileira, informaram autoridades trabalhistas.

Os homens foram contratados pela Shox do Brasil Construções, que foi contratada pela Força Aérea para construir um hangar de R $ 15 milhões ($ 2,9 milhões) em Anápolis, uma das bases mais importantes do Brasil para proteger a capital vizinha, Brasília.

O advogado de Shox não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

A empresa afirmou em seu site que “desenvolveu com seus colaboradores uma cultura de trabalhar com segurança e responsabilidade” e que também possui obras públicas no aeroporto de Brasília e no porto norte de Belém.

Os trabalhadores viviam em uma casa fora da base da Força Aérea que não tinha móveis, banheiros “fétidos” e lixo se acumulando nos quartos, disseram os fiscais do trabalho que não quiseram ser identificados por não estarem autorizados a falar com a mídia.

“Os trabalhadores pediam esmolas aos vizinhos, mendigavam comida”, disse Luiz Fabre, procurador do Trabalho designado para o caso, que planeja processar Shox em cerca de R $ 1 milhão ($ 194.893) por empregar trabalho escravo.

A Força Aérea Brasileira afirmou em nota que pediu explicações à Shox assim que tomou conhecimento do caso e que analisaria o contrato e tomaria as “medidas cabíveis” para repudiar qualquer violação da legislação trabalhista.

O Ministério Público do Trabalho não cobrará da Força Aérea, mas apresentará suas conclusões a eles, disse Fabre, acrescentando que o valor do contrato mostra que a Shox pode pagar e hospedar seus trabalhadores de maneira adequada.

FORMIGAS

Os trabalhadores da construção foram trazidos de outras cidades com promessas de bom pagamento, moradia e alimentação, mas na chegada foram informados que também deveriam trabalhar nos fins de semana para receber dinheiro para a alimentação, disseram as autoridades.

Os inspetores do trabalho mostraram à Fundação Thomson Reuters um vídeo de alguns dos trabalhadores pegando e cozinhando tanajura – formigas que são fritas em toda a América Latina.

A escravidão no Brasil é definida como trabalho forçado, mas também inclui condições degradantes de trabalho, longas jornadas que representam um risco à saúde ou trabalho que viola a dignidade humana.

Além de perder o contrato público, a Shox também pode ser incluída na “lista suja” do Brasil de empresas que praticam trabalho escravo, se forem consideradas culpadas após procedimento interno do governo, que estão impedidas de obter empréstimos do Estado por dois anos.

Os fiscais do trabalho disseram que os trabalhadores deixaram o hotel para onde foram levados depois de serem resgatados e que seu paradeiro é desconhecido.

Mas a acusação vai continuar independentemente, disse Fabre.

“A questão coletiva é mais importante do que a questão individual”, disse ele. “Estou pensando em vários trabalhadores do setor que correm o risco de ser os próximos.”

($ 1 = 5,1310 reais)

Reportagem de Fabio Teixeira @ffctt; Edição de Katy Migiro. Dê os créditos à Thomson Reuters Foundation, o braço de caridade da Thomson Reuters, que cobre a vida de pessoas em todo o mundo que lutam para viver de forma livre ou justa. Visite news.trust.org

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