Instituto recebeu R $ 1,5 milhão a mais por mês para administrar o Hospital de Campanha – Gerais


Hospital de campanha foi instalado no estacionamento da UPA de Divinpolis (foto: Divulgao / Divinpolis City Hall)

Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS) investigado na operação “entre amigos” da Polícia Federal teria recebido R $ 1,5 milhão a mais por mês durante a pandemia COVID-19 para administrar o Hospital de Campo dentro Divinpolis, Região Centro-Oeste de Minas Gerais. A Organização social (OS) recebeu em média o mesmo valor pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA – Padre Roberto) mensalmente.

Embora as investigações apontem que as irregularidades envolvendo o suposto esquema de desvio de dinheiro começaram com a licitação da empresa, a situação se agravou durante a pandemia. “A pandemia veio a calhar”, disse o delegado federal Daniel Souza.

O IBDS foi contratado para gerenciar a unidade da campanha com dispensa de licitação com justificativa de urgência. Foi instalado em março no estacionamento da UPA com leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermaria para atendimento exclusivo de pacientes com condições clínicas compatíveis com o novo coronavírus.

A OS venceu a licitação de gestão da UPA para um contrato de 60 meses no valor de R $ 91.043.671,20. Com aditivos, esse valor subiu para mais de R $ 103 milhões. Aproximadamente R $ 1,5 milhão foi repassado ao gestor por mês. Com a pandemia, a cifra subiu para cerca de R $ 3 milhões.

“Sendo mal utilizado e desviado, muito disso. Parte foi aproveitada porque o serviço foi prestado, mas houve um superfaturamento do álcool gel, na contratação de ambulâncias e vários outros superfaturados e gastos desnecessários ”, disse o Delegado Federal Felipe Baeta.

Após a assinatura dos contratos e o início da prestação dos serviços, os suspeitos ficaram com parte dos valores que as empresas recebiam pelo fornecimento de ambulâncias, compra de álcool gel e outros itens essenciais para o hospital de campanha.

Ainda de acordo com as investigações, cerca de 90% das empresas contratadas para prestar os serviços são fictícias. Eram firmas de fachada abertas em nome de pessoas jurídicas apenas para participar do esquema. A maioria dos casos foi registrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O secretário de Sade, Amarildo de Sousa, afastado do cargo, nega envolvimento no esquema. Os nomes dos demais envolvidos não foram divulgados pela Polícia Federal.

Em nota, a Prefeitura de Divinpolis disse que “acompanha as investigações com serenidade e cooperação”. “E, nesta ocasião, hipoteca o seu apoio ao Secretário Municipal de Sade Amarildo de Sousa, certo da sua total isenção dos factos apurados, na esperança de o ver livre de qualquer preconceito, no quadro preconizado pelo Estado Democrático de Direito e à luz do princípio constitucional da presunção de inocência. ”

* Amanda Quintiliano e Ricardo Welbert especial para EM

* Com informações de Leandro Couri

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