Interferência do governo ‘ultrapassou os limites’, diz ex-presidente do BB

O ex-presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Magalhães, que renunciou ao cargo de presidente do conselho na quinta-feira (1º) alegando interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no banco, disse que o “trabalho como um todo “fez com que ele tomasse essa decisão e que a interferência do governo federal na instituição“ ultrapassou os limites ”.

Ele disse que os motivos estão na carta de renúncia divulgada e explicou que, embora o Banco do Brasil tenha o governo federal como seu acionista majoritário, a lei das Sociedades por Ações e a lei das empresas estatais não permitem interferências políticas.

Para Magalhães, por ser o Banco do Brasil uma sociedade anônima, o controlador não pode interferir na governança com objetivos próprios, de forma que possa prejudicar os acionistas minoritários.

A saída de Hélio Magalhães ocorre quinze dias após a renúncia do presidente do BB, André Brandão. Depois de apenas seis meses no banco, Brandão deixou o cargo sob pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

André Brandão entrou em conflito com o Palácio do Planalto ao anunciar um plano de reorganização que economizaria R $ 2,7 bilhões até 2025, mas fecha 112 filiais e abre processo de demissão voluntária de até 5 mil funcionários. Com a oposição da União, o Banco do Brasil se retirou da medida, que foi adotada nos últimos meses por seus concorrentes privados.

Foto: Paulo Whitaker – 09.ago.2018 / Reuters

André Brandão foi o segundo presidente consecutivo a deixar o Banco do Brasil em meio ao conflito. Ele chegou em setembro para substituir Rubem Novaes, executivo próximo do ministro da Economia, Paulo Guedes, que renunciou dizendo que não se adaptou “à cultura de privilégios, compadrio e corrupção de Brasília”.

Na carta divulgada nesta quinta-feira (1º), Hélio Magalhães também criticou a escolha do sucessor de Brandão, o executivo Fausto Ribeiro. Magalhães registrou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que Ribeiro não tinha a aprovação da diretoria do BB para presidir o banco.

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