José Luiz da Silva, estrela brasileira da mídia social, morre aos 52 anos


Este obituário faz parte de uma série sobre pessoas que morreram na pandemia do coronavírus. Leia sobre outros aqui.

Quando alguém em 2016 enviou uma mensagem para um grupo de WhatsApp brasileiro zombando da baixa estatura e da voz aguda de José Luiz da Silva, Lula viu e deu a outra face – com um resultado surpreendente.

A mensagem continha uma foto adulterada de sua cabeça sobre o corpo de uma garota e perguntava se ele era popular entre as mulheres. O Sr. da Silva, conhecido como Jotinha (“Pequeno J.”), respondeu ao grupo com uma mensagem de áudio em sua voz infantil distinta: “Não, não entendi. Eu não entendi nada disso, ha ha ha. ”

Por algum motivo, sua resposta atingiu o alvo e as pessoas começaram a compartilhá-la com outros grupos no WhatsApp, que é muito popular no Brasil. Ao final do dia, ele havia recebido 3.600 mensagens no aplicativo. Ele continuou postando mensagens de áudio, e eles continuaram a encontrar um público. Logo ele estava recebendo até 10.000 mensagens por dia, levando a mídia brasileira a chamá-lo de “Rei do WhatsApp”.

“Às vezes recebo tantas mensagens que preciso desligar o telefone e limpar todas as mensagens”, disse ele uma vez a um entrevistador de televisão. “Isso me deixa muito feliz.”

Vídeos curtos do Sr. da Silva declamando, dançando e discutindo a sorte de seu time de futebol favorito, o Esporte Clube Bahia, trouxeram para ele mais de um milhão de seguidores no Instagram. Logo ele estava aparecendo em comerciais e vídeos musicais e em programas de variedades de televisão.

O Sr. da Silva morreu no dia 5 de novembro em um hospital em Santo Antônio de Jesus, no estado da Bahia. Ele tinha 52 anos. A causa era a Covid-19, disse seu sobrinho Vinícius Sucupira.

José Luiz Almeida da Silva nasceu em 16 de junho de 1968, em uma fazenda nos arredores de Elísio Medrado, uma cidade de 12.000 habitantes a cerca de 60 milhas a oeste da capital baiana, Salvador. Seu pai, José Brito da Silva, era agricultor de subsistência que morreu quando o Sr. Silva era criança. Sua mãe, Teresa Cesar (Almeida) da Silva, também trabalhava na fazenda.

A mãe do Sr. da Silva percebeu que ele não estava crescendo e quando ele tinha 9 anos ela o levou ao médico, que disse que ele tinha uma doença que impedia seu corpo de secretar hormônio do crescimento suficiente. Ele tinha 3 pés e 10 polegadas de altura e pesava 60 libras quando adulto.

Quando o Sr. da Silva era jovem, mudou-se para a cidade com sua mãe e começou a trabalhar como locutor em uma rádio comunitária. Ele também ganhava dinheiro dirigindo pela cidade em um quadriciclo motorizado com um microfone e um alto-falante gigante preso na parte de trás, anunciando lojas locais.

Ele deixa sua mãe de 88 anos, que também contraiu a Covid-19, mas se recuperou após uma estadia no hospital.

Políticos, jogadores de futebol e animadores populares que trabalharam com Lula choraram sua morte. A mídia brasileira noticiou que Michelle Bolsonaro, a primeira-dama do país (que deu positivo para o coronavírus e cujo marido, o presidente Jair Bolsonaro, se recuperou da doença), ajudou a pagar suas despesas médicas.