Ministério Público recomenda que prefeitura do Rio volte às fases de flexibilização


RIO – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro emitiu recomendação nesta quinta-feira ao prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e à Secretaria Municipal de Saúde, para que a fase de flexibilização adotada pelo município do Rio seja compatível com os indicadores referentes ao percentual de ocupação dos leitos de UTI do município.

O MP analisou os dados do próprio município e concluiu que, desde 20 de novembro, “todos os indicadores entraram em ritmo de piora exponencial, indicando a necessidade técnica de regressão de fase”.

“Até o momento, os gestores públicos não promoveram a adequação da atual fase do plano de reabertura aos parâmetros técnicos fixados no ato administrativo que orienta a reabertura gradativa da cidade do Rio de Janeiro”, diz trecho do recomendação.

Procurada, a prefeitura do Rio diz que “o manejo da nova pandemia do coronavírus é de responsabilidade do Poder Executivo” e que “eles vêm mantendo conversas com o Governo do Estado para implementar as novas medidas sugeridas pela Comissão Científica Municipal”.

Depois que a comissão científica da prefeitura sugeriu a volta das medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19 no Rio, o governador em exercício Claudio Castro, que se reuniu com o prefeito Marcelo Crivella na quinta-feira, voltou a negar que o estado adote novas medidas restritivas.

– Não vamos dar nenhum passo para trás. O que estamos fazendo é trabalhar na abertura de leitos e melhorar a fiscalização. Não adianta tomar medidas que a população não cumprirá ”, disse Castro.

A reunião para definir conjuntamente as medidas a serem tomadas é comum desde que Claudio Castro assumiu o governo do estado. No entanto, se nenhuma ação for tomada pelo município do Rio, será a primeira vez que o prefeito Marcelo Crivella vai contradizer as sugestões do Comitê.

Diante de casos de alta e pressão por leitos. os especialistas que compõem a comissão científica da cidade do Rio sugeriram que o município adote novas medidas de isolamento social para conter a disseminação da doença. Entre as medidas sugeridas está o fechamento de escolas, a proibição da presença de banhistas nas praias e o agendamento de horários de comércio – entre eles bares e restaurantes.

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A ata da reunião foi assinada por 28 pessoas, entre especialistas e autoridades municipais, como a secretária de Saúde Beatriz Busch. De acordo com o documento publicado no Diário Oficial do município nesta quinta-feira, outras medidas mais restritivas foram discutidas:

“O Comitê discutiu várias propostas para restringir a circulação de pessoas, para garantir distância social, levando em consideração a necessidade de reduzir significativamente a circulação para garantir a redução do contágio, mesmo por um período curto (2 a 3 semanas)., Levando em consideração que os impactos do período eleitoral (grande movimentação de pessoas) ainda não foram totalmente absorvidos pelos dados atuais, que o fim desse processo tenderia a diminuir a circulação de pessoas, e que, portanto, haveria mais tempo para isso .análise. E as propostas mais restritivas não tiveram sucesso ”, diz a ata.

Questionado sobre as medidas que serão tomadas, o governador disse que nesta sexta-feira será realizada uma entrevista coletiva com Marcelo Crivella para explicar quais são as medidas a serem tomadas. Castro avançou alguns:

– É nosso dever aumentar a fiscalização. Ainda estamos na fase de abertura da cama. Já abrimos muitos leitos que dependiam de poucas coisas para serem abertos. Ainda temos equipamentos hoje devido ao fechamento de hospitais de campanha.

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Castro afirma ainda que a fila divulgada a cada dia não reflete a realidade atual, pois muitos pacientes estão em leitos em UPAs que possuem equipamentos “quase como uma UTI”

– Esse número que vem frio não reflete a realidade e amanhã as equipes técnicas vão demonstrar. A linha não é tão longa quanto parece. Hoje existem UPAs, eles têm quase equipamentos de CTI e outros quase nenhum. Temos leitos a serem abertos até nos nossos hospitais – afirmou.

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O governador também se reuniu com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Complexo Industrial de Biotecnologia e Saúde (Cibs), em Santa Cruz, nesta quinta-feira.

Os casos aumentam e há filas por leitos de UTI

Na quinta-feira, o Rio registrou 127 mortes e 3.788 novos casos do novo coronavírus. Ao todo, são 365.185 infectados e 22.891 vidas perdidas em decorrência da doença desde o início da pandemia, em março. A média móvel de casos continua subindo pelo sexto dia consecutivo, com uma taxa de 2.737 contaminados por dia, e, como nos últimos dois dias, é a maior desde 22 de agosto. Na rede de saúde, que, segundo especialistas, já está entrando em colapso novamente, a situação é de muita pressão por leitos, principalmente na capital, onde há 99% de ocupação em leitos exclusivos para coronavírus oferecidos pela cidade, e 92% na rede SUS regulamentada pelo município. Em todos os estados, há fila de espera de 216 pacientes para vagas de UTI, 86% preenchidas.