Moro e a contratação indecente pela A&M: é dever de Aras mandar apurar – 02/12/2020


As passadeiras estão fazendo um grande esforço para normalizar a contratação de Sergio Moro pela americana Alvarez & Marsal. O homem tornou-se sócio-gerente. A SOU cuida da recuperação judicial da Odebrecht e já fez o mesmo com OAS. Entre seus clientes estão Queiroz Galvão e Sete Brasil. Todas são empresas que caíram no turbilhão da Lava Jato, a chamada “maior operação anticorrupção do mundo”. É a nossa pororoca policial-judicial.

Ocorre que Moro ratificou parte dos acordos de confissão de pena da Odebrecht e teve influência no acordo de leniência da empresa. Foi ele, portanto, quem deu um “sim” às vantagens concedidas aos dirigentes e ao próprio grupo. Agora, ele migra para a A&M, que recebe lucro milionário da … Odebrecht. É, em si mesmo, vergonhoso. É preciso saber se a coisa vai além da vergonha e também caminha para o crime.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) pediu ao Ministério Público que investigue a contratação. Funciona muito bem.

Na petição, Teixeira escreveu:
“Não há dúvida de que, segundo a lógica que inspirou os trabalhos da Operação Lava Jato, hoje presumivelmente liderada pelo então juiz Sérgio Moro, situações dessa natureza seriam, em tese, caracterizadas como justa causa de investigação criminal por crime de corrupção, justificar a busca de elementos informativos sobre as vantagens ou promessa de vantagens supostamente solicitadas, recebidas ou aceitas em troca de atos praticados como servidor público ”.

O nome disso é corrupção passiva. Sim, defendi esta investigação aqui. Fazer isso é um dever legal e moral. Mais: é preciso que a Justiça autorize a quebra do sigilo bancário de Moro dentro e fora do Brasil.

Em sua carta, Teixeira diz:
“Diante desse cenário, é urgente conhecer as relações, condições e valores envolvidos nos contratos firmados entre o Grupo Odebrecht, a consultoria norte-americana Alvarez & Marsal e, agora, o Sr. Sergio Fernando Moro. As decisões tomadas o então juiz Sérgio Moro teve impactos políticos, sociais e econômicos significativos para o país, sua atuação foi decisiva para a assinatura de acordos e benefícios para o Grupo Odebrecht, seus sócios e executivos. claro e que há transparência na conduta dos envolvidos “.

Augusto Aras tem mais uma oportunidade para pôr ordem na bagunça que se apodera do país a pretexto do combate à corrupção. Enfrentar e punir os delitos é dever legal, ético e moral. Mas não pode ser à custa de canalhas que levam o país à breca e enriquecem alguns smarties.