Motorista liberou direção e saltou do ônibus, conta de sobrevivente do acidente – 05/12/2020


A cuidadora de idosos Eliane Cavalcante Guerra, 55, estava no ônibus que fazia o trajeto de Mata Grande (AL) para São Paulo e caiu de um viaduto da BR-381, em João Monlevade (MG), ontem à tarde. Pelo menos 17 pessoas morreram e 26 ficaram feridas, muitas delas em estado grave.

Para ela, o motorista deveria ter entrado no ônibus para tentar controlá-lo, ao invés de sair do veículo. “Qual era o dele? Tendo controlado o carro, mas ele largou e pulou. Aí o ônibus caiu e caiu na ponte”, diz ele, em entrevista à Twitter. Eliane disse que percebeu quando o motorista fugiu, logo após sair do ônibus e ver o acidente.

Segundo seu relato, ela conseguiu pular do ônibus ao perceber que ele estava descontrolado, momentos antes da queda de uma altura aproximada de 23 metros, de acordo com a medição feita pelos especialistas, no viaduto conhecido como Ponte Torta.

“O motorista estava em alta velocidade e, de repente, diminuiu a velocidade e começou a desviar dos outros veículos. Vi que ele entrou na direção errada, desviando dos carros. Antes de chegar à ponte, bateu no retrovisor de um caminhão, e que diminuiu a velocidade para baixo um pouco. Mas quando ele alcançou o meio da ponte, ele diminuiu. Eu abri a porta e pulei. Antes da queda, cerca de oito pessoas pularam, eu fui o segundo a pular.

A passageira conta ainda que o motorista não deu nenhum aviso aos passageiros até o momento em que saiu do veículo. “Ele não disse nada, não ouvi ninguém pular.”

Eliane foi levada a um hospital em João Monlevade (MG), onde recebeu atendimento médico e teve alta. “Só agora estou com dores no corpo. Quando pulei, caí sentado no asfalto, não me machuquei. O único problema que tive foi a pressão, que subiu”, conta.

À noite, ela testemunhou na delegacia da cidade. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. O motorista, cujo nome não foi revelado, está sendo procurado.

Mapa mostra onde o ônibus caiu do viaduto em Minas Gerais

Imagem: Reprodução / Google Arte / UOL

Viagem de visita familiar

Eliane estava em Mata Grande desde 2 de novembro e comprou passagem ontem para voltar a São Paulo, onde mora e trabalha. No interior de Alagoas ela tem familiares.

Segundo a cuidadora idosa, a empresa proprietária do ônibus é de uma conhecida moradora da comunidade de Santa Cruz do Deserto, de onde saiu ontem às 11h.

“Já viajava muito com a empresa, viajava com eles há 11 anos. Esse motorista eu nunca tinha visto. Mas o dono da empresa é uma ótima pessoa, é muito responsável”, relata.

Na opinião do passageiro, o ônibus parecia estar em bom estado de conservação. “Todo mundo estava sentado, tinha cinto de segurança, ar condicionado. O ônibus estava bom. Acho que faltou o freio. Se o motorista tivesse tentado controlar, umedeceu um pouco a velocidade, ele teria chegado ao fim da ponte e o ônibus iria parar. “

Logo depois de pular, ela se lembra de ter visto o ônibus pegando fogo. “Não consegui ver de perto, fiquei em pânico”, diz ele.

O passageiro informou ainda que as autoridades mineiras estão dando todo o apoio e que a empresa está enviando um representante para dar suporte às vítimas e familiares dos mortos. “Só quero ir para minha casa agora”, conclui.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que a JS Turismo é proprietária do veículo e não está autorizada a transportar passageiros.