Nome do Planalto à presidência da Câmara, Artur Lira comandou ‘crack’ em Alagoas, diz PGR | Política


Lira é a líder do Centrão e foi uma das principais articuladoras da aproximação do grupo com o presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, ele articula nos bastidores sua própria candidatura à presidência da Câmara.

Nesta quinta-feira (3), o jornal “O Estado de S. Paulo” afirmou que Arthur Lira, nome do Planalto à presidência da Câmara, comandava um esquema “cracked” em Alagoas. O “crack” é um esquema de apropriação de parte dos salários dos servidores públicos.

A TV Globo também teve acesso à denúncia da Procuradoria-Geral da República, na época comandada pela procuradora Raquel Dodge.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, a fraude ocorreu devido à apropriação de parte dos salários dos funcionários e também à inclusão de falsos funcionários na folha de pagamento.

Segundo a denúncia, eles repassaram parte do dinheiro do salário aos deputados ou a pessoas indicadas pelos parlamentares.

Entre 2001 e 2007, Arthur Lira movimentou mais de R $ 9,5 milhões em sua conta, diz a denúncia.

Segundo documentos, durante a execução de mandados de busca e apreensão, uma planilha denominada “cheques vencidos em aberto” foi apreendida em uma das casas de Arthur Lira, totalizando mais de R $ 1,3 milhão.

Documentos indicam que o uso indevido do recurso em questão resultou em uma renda mensal de R $ 500 mil para o parlamentar.

Segundo a denúncia, o grupo criminoso liderado por Lira também “utilizou empresas terceirizadas para simular negociações jurídicas e financeiras visando operacionalizar o desvio de recursos e ocultar a origem ilegal”.

A PGR descreveu a atuação de uma quadrilha, mas disse que esse crime foi prescrito. E denunciou o deputado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro em 2018.

No mesmo processo, na Câmara de Justiça Cível de Alagoas, Lira já foi condenada por improbidade administrativa e recorre da decisão.

A parte criminal chegou a ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal em 2014, mas foi reenviada ao Tribunal de Justiça de Alagoas em razão da mudança de entendimento sobre o foro: fatos alheios ao mandato não estão mais no STF.

No momento, o processo ainda tramita na Justiça estadual, em sigilo

O assessor do deputado Arthur Lira afirmou que já apresentou defesa com todos os esclarecimentos necessários sobre a lisura de sua atuação na Assembleia de Alagoas. De acordo com a assessoria de imprensa, o deputado confia na Justiça e tem certeza de que será absolvido.

No Supremo Tribunal Federal, o deputado Arthur Lira é réu em dois processos – um por corrupção e outro, na Operação Lava Jato, por organização criminosa.

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