O Flamengo vê necessidade de vender jogadores e tem R $ 22 milhões para pagar entre multa de Dome, salários e prêmios


O Flamengo aposte alto e veja agora o resultado. Fora de Copa do brasil e a Conmebol Libertadores, resta ao clube tentar se reorganizar para minimizar o golpe financeiro que terá na temporada de 2021.

A previsão da diretoria, entre premiações e renegociações de patrocínios diante do possível sucesso nos dois playoffs, era alta: em torno de R $ 100 milhões. Isso equilibraria o saldo da temporada de pandemia de COVID-19, que tirou o valor total da bilheteria e grande parte do parceiro-fã.

Agora, o entendimento interno é claro: há necessidade de negociar atletas principalmente até o primeiro trimestre de 2021, quando o clube tem R $ 10 milhões para pagar apenas em salários, direitos de imagem e prêmios por conquistas renegociadas e adiadas durante a pandemia. Atualmente é um orçamento que não existe no orçamento, e a melhor saída é negociar os atletas, mesmo que custe o elenco para enfraquecer.

O acordo inicial previa o pagamento em dezembro, mas o prazo foi adiado para março de 2021. A esperança era absorver o impacto da eliminação da Copa do Brasil, quando deixou de receber R $ 7 milhões quando caiu antes do São paulo, com o avanço na Libertadores.

A meta era chegar pelo menos às semifinais da competição sul-americana e assim conseguir mais US $ 3,5 milhões – US $ 1,5 milhão nas quartas de final e US $ 2 milhões na fase seguinte. Pelo câmbio atual, R $ 20,8 milhões. Valor que ajudaria não só em direitos de imagem e premiações em março, mas também para saldar a dívida do ex-técnico Domènec Torrent, de 1,8 milhões de euros (R $ 11,3 milhões). O catalão continua no Rio esperando o resultado.

Residente nos Estados Unidos, o vice-vice de finanças do clube, Rodrigo Tostes, está no Brasil para negociar essa situação e também a renovação de Diego Alves. A esperança de sucesso nos dois episódios estava muito na classificação da Libertadores e agora o peso recai sobre o setor financeiro do clube.

A eliminação pelo Racing tem consequência direta na manutenção do elenco não só no que diz respeito ao goleiro Diego Alves, que tem contrato até 31 de dezembro e a permanência parece pouco provável após falta de ajuste financeiro.

Acordos alinhados com Fiorentina e Lille Pedro e Thiago Maia, respectivamente, estão em risco. Para o atacante, por exemplo, o Flamengo teria 14 milhões de euros para pagar em seis parcelas ao longo de três anos. O primeiro expiraria em janeiro.

Ainda no primeiro trimestre do ano que vem há valores a serem pagos por Léo Pereira e Michael. Este último custou 7,5 milhões de euros em três prestações Vai, o último a expirar em 21 de janeiro de 2021. Gabigol e Gerson também seguem a planilha de despesas para expirar com os italianos Inter de Milão e Roma.

Em meados do ano, no auge da crise pandêmica, o departamento de futebol – com a aprovação da cúpula – decidiu não negociar nenhum atleta, por acreditar que o bom desempenho de 2019 se repetiria. Agora não há argumentos para que a estratégia seja mantida em um clube que já fervilha com o ambiente político, principalmente com as críticas ao vice-presidente de futebol, Marcos Braz, por sua candidatura e conseqüente eleição a vereador no Rio de Janeiro e a indicação de Guilherme Kroll, ex-crítico do projeto de austeridade da Chapa Azul, ao cargo de vice-olímpico após crise na carteira.

Também há divergências entre Gávea e Ninho do Urubu em relação a ações judiciais no cotidiano do futebol, como a troca de profissionais do departamento médico, chefiado por Márcio Tannure e alvo de críticas recentes com o número de faltas, situação diferente em 2019.

Sem perspectiva de vender uma revelação que administra a alta quantia ocorrida com Vinícius Jr., Lucas Paquetá e Reinier nos últimos anos, o Flamengo apostava mais uma vez no desempenho esportivo de outro nível. Não funcionou. Agora parece inevitável: os problemas que levaram à dificuldade no campo em 2020 terão um reflexo direto em 2021.

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