Pais e diretores de escolas particulares ficam desorientados depois que Justiça suspende volta às aulas presenciais no Rio

RIO – O Sindicato das Escolas Particulares do Rio (Sinep) informou que foi pego de surpresa com a decisão que impede a abertura de unidades particulares de ensino na cidade, bem como as direções das escolas. Uma liminar suspendeu os efeitos do artigo da portaria da prefeitura que liberou aulas no Rio nas redes municipal e privada na noite de domingo. Segundo o diretor do Sinep, Pedro Flexa Ribeiro, os advogados do sindicato avaliaram a ordem judicial e decidiram acatá-la. No entanto, ainda será discutido se irão à Justiça para revogar a liminar.

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– Acabamos de receber essa decisão e não sabemos o que fazer. Agora pela manhã, muitas escolas estão recebendo alunos e estão com dor de cabeça. Tudo é muito complexo, porque ninguém entende se essa injunção valerá também para nós. Mas, por enquanto, vamos cumpri-lo e, nos próximos dias, discutiremos como será e iremos a tribunal – afirmou o diretor do Sinep.

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O secretário municipal de Educação, Renan Ferreira, criticou duramente a decisão dos parlamentares que apelaram à Justiça contra o retorno às aulas presenciais. Segundo o secretário, “o que os autores deste pedido fazem é, na prática, ajudar a empurrar ainda mais as nossas crianças para as ruas, para as placas, para o crime”.

– Precisamos entender, de uma vez por todas, que para a maioria de nossos filhos, a escola é o lugar mais seguro que podem ter. Temos um protocolo de saúde rigoroso e, com ele, defendemos a segurança face a face. O que os autores desse pedido fazem, na prática, é ajudar a empurrar ainda mais nossos filhos para as ruas, para as placas, para o crime. Para muitos deles, a única chance de sonhar com um futuro melhor está na sala de aula. E é por isso que vamos apelar dessa decisão.

Em relação às escolas particulares, o secretário recomendou que sigam a decisão, mas se houver recurso:

– Minha sugestão para as escolas particulares é que seja feito, porque uma decisão judicial seja executada, mas apelo. Temos trabalhado com muito cuidado para que as escolas estejam em condições de funcionar. Precisamos pensar em como nossos filhos estão agora. Então a escola, para muitas crianças, acaba sendo um lugar mais seguro – disse a secretária à TV Globo.

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De acordo com a decisão do desembargador Roberto Câmara Lacé Brandão, a Resolução nº 258 da Secretaria Municipal de Educação e art. 6º do Decreto Rio nº 48.706, de 1º de abril de 2021. O texto publicado pela prefeitura autorizou o funcionamento de todas as creches, escolas, estabelecimentos de ensino e similares da cidade a partir desta segunda-feira. Ainda de acordo com a decisão, a pena para o descumprimento é multa diária de R $ 50 mil.

Escolas aguardando notificação

Segundo o dirigente sindical, algumas unidades de ensino já cancelaram aulas. Outros, entretanto, seguiram o cronograma normal até serem notificados. É o caso da Escola Eleva, em Botafogo, onde muitos pais estão deixando os alunos normalmente. De acordo com a direção da unidade, a prefeitura ainda não informou a decisão da Justiça, portanto os alunos terão aulas normalmente na segunda-feira.

– A direção da unidade mandou uma mensagem para nós (pais) dizendo que as aulas seriam mantidas normalmente, então eu trouxe ele – disse uma mãe que preferiu não se identificar.

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Antes de entrar na escola, as crianças passam por uma medição de temperatura, um tapete higiênico e só então acessam o local.

A aposentada Haary Camargo, 60 anos, tem um filho que estuda na 7ª série da Eleva. Ele criticou a postura do Judiciário em conceder liminar durante a madrugada. Para o pai, isso afeta também a vida de muitas pessoas que trabalham nos bastidores da escola, como porteiros, lancheiras, seguranças etc. Segundo ele, a direção da escola informou que funcionará normalmente.

– Eu até entendo a liminar, mas tomar essa decisão em um domingo está criando mais confusão – lembra ele.

Em nota, a Escola Eleva informa que está analisando o pedido liminar. De acordo com a nota, “a instituição de ensino continua com suas atividades presenciais nas unidades de Botafogo e Barra devido ao embasamento legal de decretos e determinações dos órgãos competentes do município e do Estado”.

“A Escola Eleva reforça a importância do uso correto das máscaras e da manutenção da distância na escola; seguir todos os protocolos sanitários e de saúde também fora do ambiente escolar, como distância social e evitar aglomerações”, diz o texto, que prossegue:

“A instituição conta com equipes médicas e pedagógicas, além de uma célula epidemiológica, para acompanhamento, acolhimento e afastamento de alunos e colaboradores em caso de sintomas”.

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A orientação do Colégio Santo Agostinho, na Barra, é que os filhos fiquem em casa. A escola São João, também na Barra, disse que não deu tempo para cancelar as aulas da manhã, pois foram avisados ​​de madrugada. Mas decidiram suspender o turno da tarde da educação infantil para o ensino médio, que será oferecido à distância enquanto a decisão entrar em vigor.

O Colégio Militar do Rio, na Tijuca, teria decidido fechar suas portas. Mensagem do Sindicato dos Professores Civis do Colégio Militar afirma que a decisão foi tomada após os alunos terem as aulas suspensas devido a infecções e também pela admissão de um professor. O porta-voz do Colégio Militar, tenente-coronel Paulo Onofre Silva de Sousa, disse que hoje os alunos dos 6º e 8º anos, para além dos alunos do 3º ano do ensino secundário, vão ter aulas, mas após decisão judicial a escola suspendeu as aulas presencialmente. Silva lembrou ainda que há quatro semanas foram retiradas das salas oito turmas da 8ª série. Havia suspeitas de que três estudantes tivessem sido infectados pela doença.

– Esta semana não haverá aula tendo em vista a liminar. Hoje começaríamos as aulas presenciais, mas estão suspensas. Esta manhã, alguns alunos compareceram às aulas. Esses alunos são de Niterói, Duque de Caxias, Santa Cruz e etc., que já estavam dormindo quando saiu a liminar. Eles chegaram pela manhã, avisamos os pais e eles foram liberados – disse Silva de Sousa.

Questionado sobre a reclamação de alunos do 2º ano do ensino médio que se recusariam a assistir às aulas presenciais devido ao aumento do contágio da Covid-19 na instituição, o porta-voz disse que duas turmas da 8ª série foram dispensadas cerca de um mês depois alguns alunos apresentaram sintomas do coronavírus.

– A única coisa que aconteceu há algumas semanas foi uma pesquisa que apontava que três alunos de uma turma do 8º ano do ensino fundamental – de períodos diferentes – apresentavam sintomas e a equipe médica achou melhor deixar essas aulas (todos alunos) embora, porque eu não tinha nenhuma prova de que eles conseguiram na escola. Para ter certeza, esses alunos foram dispensados.

Na Pensi da Tijuca, vários pais até levaram seus filhos para a escola esta manhã, mas eles tiveram que voltar para casa. A diretoria ainda não informou se as aulas são remotas ou não.

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A direção do colégio bilíngue Miraflores, em Laranjeiras, informou que alguns alunos compareceram – alguns em ônibus escolares. No entanto, os alunos voltaram para casa. No Colégio Teresiano, na Gávea, cerca de seis alunos estiveram na unidade, mas voltaram para casa. Alguns professores, que moravam em outros municípios e estavam a caminho da unidade, acabaram dando aulas à distância.

– Precisamos chegar a algum consenso. Todo mundo sofre com esta situação. Você não pode ter uma medição assim durante a noite. Não são apenas alunos e professores em uma escola. E os seguranças, cozinheiros, ajudantes em geral? Como eles estão? É preciso haver diálogo entre todos os envolvidos – afirma Glória Fátima do Nascimento, diretora da escola, que também afirmou que várias escolas particulares estão avaliando a atuação da Justiça para reverter a liminar concedida no dever judicial.

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O professor não foi avisado a tempo

A Rede Mopi, com unidades na Tijuca e Itanhangá, só conseguiu avisar os pais dos alunos por volta das 6h30 desta segunda-feira, apenas 45 minutos antes do início do primeiro horário de aula, marcado para 7h15. Mesmo assim, alguns pais só souberam que a escola estava fechada quando chegaram às unidades. O transtorno também afetou uma das professoras, Amanda Costa da Silva, 36, que mora na Ilha do Paquetá e pegou um barco cedo para dar a aula presencial. Ele precisava ficar na escola e dar aulas na turma remota ali mesmo.

– Eu já estava no Rio quando soube. Como a balsa sai de lá às 5h20, o horário de retorno é 9h, então não haveria como entrar na aula online. Então eu fiquei aqui na unidade. São aulas de 30 minutos na Educação Infantil. Pegou muita gente desprevenida – disse a professora Amanda Costa Reis da Silva, 36, que dá aulas a 19 alunos. Hoje, se houvesse aula presencial, apenas oito alunos iriam participar.

O diretor executivo da Mopi, Vinicius Canedo, afirma que a liminar concedida pela Justiça prejudica não só a instituição, mas principalmente pais, professores e profissionais que atuam nas escolas.

– Os pais precisam da escola porque muitos trabalham pessoalmente, mas ficaram surpresos esta manhã. Foi muito ruim para o planejamento escolar. É preciso haver um alinhamento entre Judiciário e Executivo. O município havia divulgado na sexta-feira, o estado autorizou no sábado, e essa informação chega na madrugada de segunda-feira? É crueldade. Os poderes precisam ser convergentes e oferecer tranquilidade, segurança e confiança – afirma Canedo, que também faz parte do conselho do Sinep.

A creche Amanhecendo também decidiu continuar com as aulas suspensas, assim como as escolas Parque, Corcovado, Escola Americana, Pallas e Santo Inácio. O Centro Educacional Acalanto, de Botafogo, também segue liminar e conseguiu alertar os pais dos alunos sobre a suspensão imediata do retorno às aulas por meio de mensagens via WhatsApp. Apenas uma família compareceu à instituição, mas foi instruída sobre a decisão do Tribunal.

– Conseguimos avisar os pais. Enviamos mensagens para todos. Apenas uma família apareceu aqui hoje. Somos apenas alguns funcionários e pessoal administrativo. Vamos aguardar o que será resolvido agora – disse a recepcionista da escola, Rosana Oliveira.

O diretor do Sinep afirma que o atraso da notícia dificultou o cumprimento imediato da decisão:

– Quem programou as atividades escolares (para hoje) está tendo que cancelar. O turno da manhã é o mais complicado, porque tem uma criança chegando na escola nesse horário. Estamos com um impasse porque não sabemos se esta escola vai conseguir reter o aluno ou mandá-lo embora – disse, acrescentando:

– Estamos em uma crise muito séria e vemos as opções mais acertadas a serem seguidas. No ano passado, não recebemos alunos por 10 meses. Experiências internacionais mostram que esse fechamento não é sábio. Parece-me que o encaminhamento do prefeito foi o mais sábio. No entanto, somos confrontados com esta decisão.

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