Pazuello diz que Brasil trabalha com ‘no máximo’ três opções de vacinas contra Covid-19


RIO E BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quarta-feira que o Brasil trabalha com “no máximo” três opções de vacinas contra a Covid-19 no planejamento da imunização da população contra o novo coronavírus. A declaração veio poucas horas depois que o Reino Unido anunciou a aprovação da vacina Pfizer e BioNTech.

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Pazuello, nas entrelinhas, parece reforçar a mensagem enviada por seu secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, na última terça-feira. Medeiros, que não citou vacinas específicas, disse que imunizantes dependentes de armazenamento e transporte em temperaturas baixíssimas – como a fórmula da Pfizer – não estão dentro do padrão ideal da pasta devido às limitações logísticas do país.

– Poucos fabricantes têm quantidade e um cronograma de entrega eficaz para o nosso país. Quando se chega ao fim das negociações e vai para o cronograma de entrega e fabricação, os números são escassos. É um número grande que se reduz a uma, duas, três ideias (empresas). A maioria tem números muito pequenos para o nosso país – disse Pazuello.

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O ministro da Saúde também especulou que poderia adquirir doses da vacina Pfizer por meio do Covax Facility, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de vacinas e torná-las universais. O Brasil é um dos países signatários e elegíveis para receber as doses. A farmacêutica americana, porém, ainda não chegou a um acordo com a coalizão internacional.

Oficialmente, o governo federal já assinou um acordo com a farmacêutica britânica AstraZeneca visando a aquisição e produção do seu candidato imunizante, desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido) e testado no Brasil. Foi a única vacina citada por Pazuello, que previu 100 milhões de doses disponíveis no Brasil no primeiro semestre de 2021, sendo 15 milhões entre janeiro e fevereiro, e a produção nacional de 160 milhões de doses no segundo.

Outra fórmula no horizonte brasileiro é o Coronavac, do laboratório chinês Sinovac Biotech, testado no país pelo Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo. Embora Jair Bolsonaro tenha vetado publicamente a sinalização de intenção de compra do Coronavac pelo ministro Pazuello, o presidente sinalizou na semana passada, sem fazer referência direta à vacina do Sinovac, que o governo comprará imunizantes eventualmente aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Há também a fórmula desenvolvida pela farmacêutica americana Moderna Inc, que já solicitou aos Estados Unidos e à União Européia (UE) autorização para uso emergencial de seu produto. Embora o governo brasileiro não tenha fechado um acordo com a empresa, a empresa faz parte da Covax.

Dois estados brasileiros, Bahia e Paraná, firmaram acordos com a Rússia para aquisição e produção do Sputnik V, desenvolvido pelo laboratório russo Nikolai Gamaleya. A instituição, porém, ainda não formalizou pedido de teste e registro do imunizante, ainda em teste, no país. Na quarta-feira, o governo russo anunciou que deve iniciar a vacinação em massa no país na próxima semana.

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A Anvisa será fiel ao equilíbrio

Pazuello afirmou ainda que apenas imunizantes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) serão aplicados no Brasil.

O ministro da Saúde frisou que serão utilizados apenas os autorizados pelo órgão brasileiro. Na quarta-feira, autoridades britânicas informaram que a vacina estará disponível a partir “da próxima semana”.

– A Anvisa é nosso padrão ouro. Os técnicos e equipe da Anvisa estão focados e prontos para tratar do assunto de forma rápida e direta, com alterações de protocolo, recebendo documentação com envio contínuo e imediato de cada processo. Precisamos entender, de uma vez por todas, que só aplicaremos vacinas registradas na Anvisa no Brasil, com todos os protocolos corretamente seguidos. Isso precisa ficar claro – afirmou o Ministro Eduardo Pazuello durante participação na Comissão Parlamentar Conjunta da Covid-19.

Lei aprovada em fevereiro deste ano estabelece condição especial para entrada no país de insumos e medicamentos de combate ao coronavírus, o que tem levantado questionamentos sobre a possibilidade de estados adquirirem vacinas sem registro na Anvisa desde que tenham registro em pelo menos um agência internacional de saúde. quatro listados no próprio padrão.

“A autorização deve ser concedida pela Anvisa em até 72 (setenta e duas) horas após o envio do pedido à Agência, sem a autorização de qualquer outro órgão da administração pública direta ou indireta para os produtos por ela especificados, sendo concedida automaticamente se a sem manifestação ”, diz a legislação.

Na semana passada, porém, a Anvisa divulgou nota informando que mesmo após o registro em outro país, a avaliação da Anvisa é necessária “para verificar pontos que não são apurados por outras agências internacionais”. Com a decisão do Reino Unido, o GLOBO questionou novamente a Anvisa, mas ainda não obteve resposta.

Conforme informado no relatório, a agência está estudando para autorizar o uso emergencial de vacinas contra a Covid-19. O processo permitiria que o imunizante fosse utilizado em casos específicos e previamente definidos, sem a necessidade de o produto já possuir o registro do órgão.