PF ouve 3 inquérito investigando vacinação clandestina em garagem de ônibus, em BH | Minas Gerais

A Polícia Federal (PF) vai ouvir, na tarde desta segunda-feira (5), em Belo Horizonte, mais três pessoas na investigação investigando vacinação clandestina em garagem de ônibus, no bairro Caiçara, na Região Noroeste.

Segundo a PF, são três membros da família da falsa enfermeira Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas. São eles: Igor Torres; seu filho e suspeito de receber pagamentos; Daniviele Torres; filha e a polícia investigam sua participação no caso; e um homem identificado como Júnior, marido de Daniviele e que seria o motorista de Cláudia no dia da vacinação.

Polícia Federal vai ouvir filhos e genro da falsa enfermeira que vacinou empresários

Entre as 57 pessoas da lista apreendidas pela Polícia Federal na investigação da vacinação clandestina contra a Covid-19 em Belo Horizonte estão advogados, um doutorando, um dentista e quatro parentes do ex-senador Clésio Andrade.

O documento, obtido exclusivamente por Tv globo, mostra que dirigentes do Sindicato das Empresas de Ônibus da Região Metropolitana e empresários do setor de transportes também parecem se beneficiar com a imunização irregular.

O ex-senador nega ter recebido o imunizador, mas admitiu que estava na garagem.

Como o relatório descobriu, a maioria dessas pessoas mora em bairros luxuosos e condomínios fechados na região metropolitana de Belo Horizonte.

A lista estava em uma das gavetas de Rômulo Lessa, dono da Saritur e que, segundo apurou, seria um dos organizadores do esquema de vacinação.

Em depoimento à Polícia, o empresário confirmou que a garagem foi usada por dois dias seguidos para a vacinação clandestina. O documento é uma pista importante, mas contém dados de apenas um dos dias.

Os pesquisadores acreditam que pelo menos 30 outras pessoas foram imunizadas na garagem de Saritur.

As doses foram aplicadas pela falsa enfermeira Cláudia Pinheiro. Apesar de se apresentar como profissional de saúde, nunca foi inscrita no Conselho de Enfermagem..

“Ela sempre falava que era enfermeira, que era instrutora, mas nunca nos mostrava um cartão”, disse uma mulher que trabalhava com Cláudia e que não quis se identificar.

Ainda segundo a mulher, que trabalhava como cuidadora de idosos com Cláudia, não foi hoje que a falsa enfermeira aplicou golpes. De acordo com relatos, ela pediu dinheiro emprestado e, quando cobrado, deu desculpas para não pagar o valor.

Não era a única vez que Cláudia teria desaparecido com o dinheiro dos outros. A Tv globo constatou que existem vários processos judiciais contra ela no tribunal. Em um caso, uma das vítimas afirma ter perdido R $ 20.000.

A mulher que trabalhava com Cláudia também relata que a informação era de que a falsa enfermeira era perigosa. “As pessoas diziam que ela era meio perigosa, que se envolvia com gente perigosa e tínhamos medo até de ir atrás do dinheiro que tínhamos que receber por isso mesmo. (Por conta) do que ela era capaz de fazer ”, afirma.

Neste sábado (3), Cláudia teve o pedido de habeas corpus acatado pela Justiça e foi liberada provisoriamente. Seu advogado, Bruno Agostini, disse que ainda não teve acesso a investigações.

“Dona Cláudia está à disposição para esclarecer os fatos, desde que tenha acesso às denúncias que estão sendo movidas contra ela”, informou.

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