Polícia do Rio convoca Bonner e Renata Vasconcellos para depor


A Polícia Civil do Rio intimidou William Bonner e Renata Vasconcellos, apresentadores do Jornal Nacional da TV Globo, para depor pelo crime de desobediência a uma decisão judicial relacionada a publicações envolvendo a investigação de “crackers” no então gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. As informações são do UOL.

Apresentadores de Jornal Nacional
Reprodução / TV Globo

A emissora foi legalmente proibida de publicar informações sigilosas sobre o caso envolvendo o senador Flávio (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Os depoimentos de Bonner e Renata foram solicitados no contexto de inquérito policial sobre suposta “desobediência à decisão judicial de perda ou suspensão de direitos”.

Os mandados de intimação, expedidos pelo delegado Pablo Dacosta Sartori e obtidos pelo UOL, foram expedidos na tarde desta quarta-feira (02/11).

De acordo com os documentos, ambos são intimados a comparecer na sede da DRCI (Esquadra de Repressão a Crimes Informáticos), no bairro de Benfica, zona norte do Rio, na próxima quarta-feira (9/12). Renata às 14h e Bonner às 14h30.

Ainda segundo mandados de intimação, se o jornalista não comparecer sem justificativa no local, data e hora estipulados, incorrerá no “crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal”.

A Globo foi impedida em setembro de publicar reportagens que mostravam documentos sigilosos sobre Flávio por decisão de Cristina Feijó, desembargadora da 33ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que respondeu ao pedido feito pelo senador por meio de seus advogados, Rodrigo Roca e Luciana Pires.

Na ocasião, a Globo afirmou que a decisão judicial é uma restrição à liberdade de informar, uma vez que a investigação interessa a toda a sociedade.

Procurada nesta sexta-feira (4/11), a TV Globo informou que não comenta os processos judiciais em andamento.

Queixa

A Rede Globo recorreu em setembro ao Supremo Tribunal Federal contra decisões do tribunal do Rio de Janeiro que proibiram a emissora de divulgar documentos sobre uma investigação de um promotor contra o senador Flávio Bolsonaro.

A RCL 43.671 foi distribuída ao Ministro Gilmar Mendes. Inicialmente, Globo, com patrocínio da empresa Binenbojm e Carvalho Britto, pediu liminar para autorizar a divulgação de documentos e informações sobre o caso nos relatórios da emissora.

De acordo com a defesa da Globo, as decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro desconsideram a sólida posição do Supremo Tribunal Federal no que se refere à proteção da liberdade de expressão e de imprensa e do direito à informação. A inicial cita o acórdão ADPF 130.

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