Promotores brasileiros processam Maersk, buscam congelar US $ 200 milhões


Reuters


RIO DE JANEIRO – Os promotores federais no Brasil entraram com uma ação civil contra a empresa de navegação dinamarquesa Maersk e ex-executivos que representam a empresa por suposta corrupção envolvendo contratos de transporte com a estatal Petrobras, disseram na sexta-feira.

Fonte: Reuters

A ação exige que um juiz congele quase 1 bilhão de reais (US $ 198 milhões) em ativos para garantir que os fundos estejam disponíveis para pagar os danos resultantes do suposto esquema.

Os promotores disseram que havia evidências de pagamentos de suborno a funcionários da Petrobras em troca de informações privilegiadas que permitiram à Maersk garantir contratos de transporte entre 2006 e 2014. Ex-funcionários da Petrobras, formalmente a Petróleo Brasileiro SA, também foram incluídos no processo.

“Levamos essas alegações muito a sério e continuamos comprometidos em cooperar com as autoridades durante a investigação, bem como em conduzir nossos negócios em conformidade com as leis anticorrupção em todos os locais de operação”, disse Maersk em um comunicado por e-mail.

A empresa disse que a investigação está em andamento e que não fará mais comentários sobre o caso.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O processo civil é o último capítulo da épica investigação de corrupção brasileira conhecida como Car Wash. Iniciada em 2014, a investigação envolveu políticos e empresários da América Latina e além, que até anos recentes eram considerados intocáveis.

As fases recentes da investigação visam empresas multinacionais sediadas fora do Brasil.

Na semana passada, os promotores tomaram uma ação semelhante contra o comerciante de petróleo Trafigura por supostamente subornar funcionários da Petrobras para garantir o transporte de combustível.

Em agosto, promotores brasileiros apresentaram acusações criminais contra dois indivíduos envolvidos no suposto esquema de suborno da Maersk.

No Brasil, os promotores podem apresentar ações criminais apenas contra pessoas físicas, e as empresas estão sujeitas apenas a sanções administrativas, que podem incluir multas.

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