Protestos explodem no Brasil depois que negro morre após ser espancado em frente a supermercado | Noticias do mundo


Um homem negro que morreu após ser espancado por seguranças de um supermercado na cidade de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, gerou indignação em todo o Brasil depois que vídeos do incidente circularam nas redes sociais.

Filmagem mostrou João Alberto Silveira Freitas levando um soco no rosto na porta de um supermercado Carrefour, na noite de quinta-feira. Outros clipes mostravam Freitas sendo ajoelhado.

Dezenas de manifestantes entraram em um Carrefour na capital do Brasil, Brasília, na manhã de sexta-feira, gritando “A vida dos negros é importante!” Um segurava uma placa que dizia: “Não compre no Carrefour. Você poderia morrer”. Dentro de outro Carrefour no Rio de Janeiro, os manifestantes gritaram “Carrefour Killer!” como um homem negro ainda deitado em cima da esteira rolante de um caixa. Eles forçaram o fechamento da loja.

Em São Paulo, os manifestantes quebraram a vitrine de um Carrefour, espalharam mercadorias das prateleiras por todo o chão da loja e provocaram um incêndio que funcionários se apressaram em apagar.

O Carrefour divulgou nota lamentando a “morte brutal” de Freitas e disse que encerraria o contrato com a seguradora, demitiria o gerente da loja que estava de plantão e fecharia a loja de Porto Alegre por respeito à vítima.

Os dois homens que supostamente espancaram Freitas foram detidos e estão sendo investigados por homicídio devido à asfixia da vítima e à impossibilidade de se defender, disse Nadine Anflor, delegada da polícia civil do estado do Rio Grande do Sul, onde fica Porto Alegre capital. Um dos homens era um policial militar temporário que estava de folga, disse Rodrigo Mohr, chefe da Polícia Militar do estado.

O Dia da Consciência Negra é comemorado em muitas partes do Brasil. Na sexta-feira, no Rio, um grupo de pessoas participou de uma festa com dança e música afro-brasileira na favela Santa Marta. Integrantes de uma escola de samba realizaram uma “lavagem” ritualística das escadas de acesso ao bairro da encosta.

Negros e pardos representam cerca de 57% da população brasileira, mas constituem 74% das vítimas de violência letal, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma organização não governamental. O percentual é ainda maior, 79%, para os mortos pela polícia.

O site local de notícias online G1 informou que o incidente no Carrefour de Porto Alegre ocorreu após um confronto entre Freitas e um funcionário de supermercado, que então chamou a segurança. Ambos os guardas eram brancos, relatou o G1.

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