quem foi o banqueiro mais rico do mundo


BBC

postado em 12/10/2020 14:03 / atualizado em 12/10/2020 14:20

Reuters – Banqueiro e fundador do Grupo Safra morreu aos 82 anos de causas naturais

O banqueiro e fundador do Grupo Safra, Joseph Safra, morreu nesta quinta-feira (10 de dezembro), aos 82 anos, de causas naturais, informou nota divulgada pela assessoria de imprensa do Banco Safra.

Segundo o Bloomberg Billionaires Index, atualizado diariamente pela agência de notícias financeiras de mesmo nome, o Safra era o homem mais rico do Brasil e o 101º do mundo, com fortuna estimada em US $ 17,6 bilhões (R $ 90 bilhões). Ele também era o banqueiro mais rico do mundo.

Judeu, Safra nasceu em 1938 no Líbano e imigrou para o Brasil na década de 1960, para dar continuidade aos negócios do pai. A família tinha mais de um século de experiência no setor bancário.

Em 1969, ele se casou com Vicky Sarfaty, com quem teve 4 filhos e 14 netos.

Sob seu comando e do irmão Moise, o Banco Safra tornou-se o sexto maior banco do Brasil. Em 2006, ele comprou as ações de seu irmão e passou a controlar sozinho a instituição financeira. Moise morreu em 2014 com 79 anos.

Atualmente, os filhos de Joseph dirigem diferentes empresas do Grupo Safra.

Ao longo de sua vida profissional, o Safra surpreendeu o mercado com importantes aquisições.

Em 2012, anunciou a compra do banco suíço Sarasin por US $ 1,1 bilhão, agregando US $ 107 bilhões à sua carteira de clientes na Europa, Ásia e Oriente Médio.

Além disso, comprou um prédio de escritórios na famosa Madison Avenue, em Nova York, nos Estados Unidos, por US $ 285 milhões e o icônico prédio Gherkin em Londres, no Reino Unido, por cerca de US $ 1,15 bilhão.

Em 2014, adquiriu a Chiquita, uma das maiores produtoras de banana do mundo, juntamente com a Cutrale, líder na produção de laranja no Brasil.

Mas nem todos os seus movimentos foram precisos.

Uma de suas piores apostas veio durante a onda de privatizações da telefonia brasileira no final da década de 1990, quando o Safra, aliado da norte-americana BellSouth, criou a BCP, primeira empresa a receber permissão para explorar um espectro da rede celular. no Brasil, acabando com o então monopólio do sistema Telebrás.

Os primeiros anos foram de grande sucesso, mas o faturamento caiu e a empresa errou ao apostar em uma tecnologia diferente daquela que se tornaria predominante no mercado de telefonia celular.

Operando no vermelho, o BCP acumulou dívidas e acabou vendendo por cerca de US $ 650 milhões ao grupo do bilionário mexicano Carlos Slim, controlador da Claro, que viu nisso uma oportunidade de entrar no mercado paulista.

‘Discreto e implacável’

Na vida pessoal, como o restante da família, Safra primava pela discrição: deu poucas entrevistas para a imprensa e nunca compareceu a colunas sociais.

No ambiente de trabalho, por outro lado, era considerado um investidor avesso ao risco, um trabalhador implacável e um patrão severo – telefonemas para executivos no meio da noite para conclusão de operações tornaram-se “lenda” também no mercado como as joias que presenteava às esposas, como forma de se desculpar pelas horas extras que faziam seus maridos trabalhar.

O Safra cultivava uma relação próxima com seus funcionários – que o chamavam pelo primeiro nome e “Seu José”.

Fora do setor financeiro, ele também foi reconhecido no meio filantrópico com doações para hospitais, museus e comunidade judaica.

“Ele foi um grande banqueiro, um verdadeiro empresário que construiu o Grupo Safra no mundo, conquistando sucesso por sua seriedade e visão empresarial. Foi um grande líder e muito respeitado dentro e fora da organização”, disse nota divulgada pelo Grupo Safra .

“Ele viveu uma vida exemplar, simples e reservada, sem ostentação, longe da exposição geral. Sempre disse que tinha muito orgulho da cidadania brasileira e de apoiar o Corinthians.”

“Ao longo da sua vida foi um amante das artes e um grande filantropo, sempre empenhado em manter a tradição de devoção a causas nobres, uma marca dele. Ajudou muitas pessoas e apoiou inúmeras causas sociais, religiosas e culturais, como a construção e reforma de hospitais, creches, museus e templos religiosos de todas as religiões ”, concluiu o comunicado.

Reclamações

Em 2015, o sobrenome Safra foi riscado ao ser citado na Operação Zelotes da PF (Polícia Federal) – que investigava suposto esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) -, na SwissLeaks e na lista de clientes da consultoria o ex-ministro Antônio Palocci, que seria o alvo da operação Lava Jato. Palocci acusou o Banco Safra de pagar ‘caixa dois’ (transferências para fora das contas oficiais) em campanhas eleitorais.

Em abril de 2016, o Safra acabou sendo acusado de corrupção ativa pelo Ministério Público Federal (MPF), mas o juízo ingressou com a ação penal contra ele em dezembro do mesmo ano.

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