quem foram as duas mulheres brutalmente assassinadas no DF


Uma tatuagem que supostamente representava o amor entre Josimar Benedito de Paiva, 42, e Giane Cristina Alexandre, 36, acabou se tornando um símbolo de ameaça após o fim do relacionamento de três anos entre os dois. Insatisfeito com o fim, ele começou a pintar a imagem de um coração na porta da casa do ex por vários dias.

As tentativas de retomar não surtiram efeito. As marcas feitas na porta da residência, assim como as cartas enviadas, foram descartadas. Segundo as investigações, Josimar ainda tentou atear fogo na propriedade da família poucos dias depois do fim. Giane veio chamar a polícia, mas não registrou a ocorrência.

Com a separação, ela decidiu empreender e mudar sua aparência. Três semanas depois de pôr fim ao relacionamento abusivo, ela criou um perfil no Instagram anunciando doces e bolos caseiros. Ele também parou de usar o cabelo com mechas loiras, aparente em todas as fotos que fez com o suspeito.

Na rede social, mostrou cones trufados, pães de mel, bolos e suspiros. Mesmo recentemente no ramo, recebi vários pedidos para festas de aniversário e batismos. “Tudo aqui é feito com amor”, diz um dos posts.

Giane e sua mãe, Maria Madalena Cordeiro Neto, 65, também vítima do brutal assassinato, eram assíduas na Paróquia Divino Espírito Santo, em Arapoanga.

A religião também foi expressa virtualmente. Os dois compartilharam frases de fé e seguiram vários perfis religiosos. Madalena até usou uma foto de Jesus com Maria.

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O crime

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) detalhou como Josimar teria tirado a vida de duas mulheres, mãe e filha, dentro da casa da família em Arapoanga. O suspeito entregou as vítimas, amarrou seus braços e depois as matou. Um menino de 6 anos, filho de uma das vítimas, testemunhou todo o horror.

Segundo Veluziano de Castro, delegado da 31ª Delegacia (Planaltina), o homem foi à casa da família nesta quarta-feira à tarde (12/09). Madalena foi entregue e amarrada. Ao notar a chegada de Giane, o suspeito cobriu a cabeça, fingiu ser um assaltante e entregou seu ex. Ele amarrou e descobriu seu rosto apenas ali.

Josimar colocou a criança para assistir televisão e foi para o quarto, onde as mulheres foram amarradas. Ele havia coberto a cabeça de Giane com uma fronha e, quando voltou, encontrou seu ex-companheiro morto. Madalena teria sido morta por asfixia. Somente o laudo elaborado pelos especialistas do IML pode comprovar a suspeita da polícia.

O suspeito teria então colocado o menino em uma cadeirinha, dentro do carro, e dito que se ele não se comportasse, ele mataria sua mãe e a colocaria em quarentena.

O acusado aproveitou o medo e a inocência da criança para tentar encobrir o crime. Ele programou o despertador para as 5 da manhã daquela quinta-feira para acordar o menino. Naquela hora, o menor deveria ir até a casa de Josimar, que mora na mesma rua da família, para pedir ajuda.

“Um crime covarde. Uma cena apavorante tanto para as vítimas quanto para a criança ”, disse o deputado Veluziano de Castro. Em depoimento, o arguido teria revelado que “o sentimento de posse da vítima existia desde a adolescência, há mais de 20 anos”.

O suspeito até simulou uma tentativa de roubo. Ele escondeu televisores no forro da casa, para sinalizar que alguém havia roubado o equipamento.

O caso aconteceu na madrugada desta quinta-feira. Vizinhos disseram ter ouvido gritos de uma criança ao amanhecer, supostamente filho da vítima.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado, o menino teria procurado ajuda por volta das 5h30 na porta de um vizinho, alegando que sua mãe e sua avó corriam perigo, cumprindo o plano de Josimar de tentar sair da prisão.

Grita por socorro

O crime chocou os moradores da Quadra 8, no bairro Arapoanga. Os corpos das vítimas foram encontrados por militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), que foram chamados na madrugada. Às 6h, eles chegaram ao local e descobriram que as mulheres estavam mortas.

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada e isolou o local para que técnicos do Instituto de Medicina Legal (IML) realizassem as investigações.

Madalena e Giane foram encontradas sem vida, cada uma em um quarto diferente, deitadas de bruços nas camas. Segundo ocorrência registrada na 31ª Delegacia (Planaltina), não há sinais visíveis de violência ou tiros de arma de fogo. No entanto, um relatório policial detalha que, nos pulsos das vítimas, há evidências de que foram amarradas.

Uma amiga da família, Maria dos Santos, 48 ​​anos, diz que frequentava a mesma igreja que Madalena. “Ela e eu servimos juntas na igreja. Até nós fomos ontem [quarta-feira], mas ela disse que estava se sentindo mal e não ”, lembra ele.

Pela manhã, ao sair para o trabalho, Maria avistou os veículos da PMDF e dos Bombeiros em frente à casa da amiga, mas achou que tivesse ocorrido algum problema de saúde. “Ela tinha problemas de coluna e reclamava. Nunca esperei que algo tão horrível acontecesse com eles ”, lamenta.