Real tem pior desempenho no mundo com o agravamento da pandemia minando as perspectivas Por Reuters


© Reuters. Notas de cem dolares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O salto de 2,20% na quarta-feira e registrou o maior aumento diário em seis meses, voltando a acima de 5,60 reais, em um movimento puxado pela piora da percepção de risco em relação ao Brasil à medida que a pandemia explode no Brasil. país e ameaça a perspectiva de recuperação econômica e debate sobre as reformas.

A Morgan Stanley (NYSE 🙂 (SA 🙂 reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira de 4,3% para 3,5% em 2021, citando os impactos do agravamento da crise de saúde, além da persistente incerteza fiscal e agora inflacionária.

Com a recuperação desta sessão, o dólar zerou as perdas acumuladas desde a semana passada, quando o Banco Central surpreendeu ao elevar os juros em um ritmo mais forte do que o esperado.

O dólar a vista fechou esta quarta-feira cotado a 5,6380 reais na venda. O aumento de 2,20% é o mais forte desde 18 de setembro de 2020 (+ 2,77%).

A moeda apresentou grande variação entre o mínimo (5,491 reais, queda de 0,47%) e o máximo (5,6435 reais, ganho de 2,30%).

Mas a menor cotação do dia foi registrada no início do pregão. Com isso, o dólar entrou em trajetória de alta gradual e estável, atingindo picos intradiários já próximos ao fechamento dos negócios no mercado spot.

“Há um incômodo fiscal, da dívida e da pandemia em aceleração”, disse Joaquim Kokudai, gerente da JPP Capital. “A percepção dos estrangeiros sobre o Brasil é muito ruim”, acrescentou.

Prova disso, segundo o gerente, foi mais um dia de alta nas taxas de juros dos contratos de DI do B3, que chegaram ao final da tarde com altas de até 30 pontos base.

A inclinação entre os DIs janeiro de 2027 e janeiro de 2023 – uma medida de percepção de risco – saltou para 212,5 pontos base nesta quarta-feira, de 201 pontos base na terça-feira e bem acima do nível de 170 pontos base do dia 18 de março, quando o prêmio de risco na curva caiu depois que o BC elevou inesperadamente a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,50% ao ano.

Mesmo o, que resistiu em alta durante boa parte da sessão, acabou caindo para 1,06% no fechamento.

O mal-estar do mercado brasileiro também teve um componente externo, já que os mercados de Wall Street caíram e o dólar subiu contra uma cesta de rivais, mas a intensidade das perdas por aqui tornou-se maior. O real teve, de longe, o pior desempenho do mundo na quarta-feira, e o Ibovespa rebateu o sinal da maioria de seus pares latino-americanos, que fecharam em alta.

O barulho fez com que o Ministério da Saúde decidisse fazer alterações nos registros de óbitos da Covid-19, que mais tarde foi suspenso devido à pressão dos governadores.

A tentativa de alteração da pasta ocorreu no dia seguinte à divulgação de que o país contabilizou pela primeira vez mais de 3 mil mortes em 24 horas pela Covid-19, aproximando-se da marca de 300 mil vítimas. O Brasil é hoje o epicentro global da pandemia e tem causado preocupação entre as autoridades de saúde e governos em todo o mundo devido à incapacidade de controlar a propagação da doença.

Anteriormente, após reunião entre chefes de Poderes, ministros e governadores, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a criação de outra comissão, com a responsabilidade de definir as ações de combate à epidemia de Covid-19, em coordenação com os governadores.

Mesmo depois do discurso da noite anterior, em que foi a favor das vacinas, ainda há dúvidas no mercado sobre até que ponto o presidente terá uma postura mais combativa em relação à crise de saúde.

Na avaliação de profissionais da Barclays (LON :), o Brasil está hoje envolvido na intensificação de três crises – acelerando a pandemia, deteriorando as perspectivas de crescimento e aumentando o risco de ruptura fiscal -, com um fator adicional advindo do ressurgimento do ex-presidente Lula no cenário político.

O banco privado ainda vê chances de valorização do real em três a seis meses, mas estima que o alívio será de curta duração, com a moeda sofrendo novamente no quarto trimestre com as discussões sobre o Orçamento de 2022 e o teto de gastos antes de 2022 as eleições ganham força. A previsão é que o dólar feche 2021 em 5,50 reais.

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