Renúncia de dirigentes do BB não surpreendeu mercado, afirmam analistas – 02/04/2021 – Mercado

O mercado não se surpreendeu com a renúncia de dois diretores do Banco do Brasil por discordar da interferência (não partidária) do presidente Jair Bolsonaro na instituição.

O BB deixou na sexta-feira (2) o presidente do conselho, Hélio Magalhães, e o conselheiro José Guimarães Monforte. Ambos foram indicados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

O motivo da renúncia foi a nomeação de Fausto Ribeiro como o novo presidente do Bolsonaro do banco. Segundo Magalhães, Ribeiro não passou no crivo do município.

Para analistas, a correria não deve ter grande impacto sobre as ações do banco no pregão da próxima segunda-feira (5). “O golpe com a intervenção na Petrobras foi muito forte. O mercado até caiu em relação ao intervencionismo governamental ali. Foi a virada ”, diz Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos.

Em fevereiro, a Petrobras perdeu R $ 102,5 bilhões em valor de mercado depois que Bolsonaro anunciou que mudaria o comando da estatal. O Banco do Brasil depreciou R $ 12,7 bilhões.
Desde então, o mercado aguarda a saída de André Brandão, então presidente do BB. Ele renunciou em março.

Brandão foi criticado pelo Bolsonaro devido ao plano de reestruturação do banco anunciado em janeiro, com planos de fechamento de agências e abertura de programa de demissões voluntárias. “Os episódios colocaram em xeque a agenda reformista liberal de privatizações do governo. É o contrário do que o governo se propôs a fazer ”, afirma Bertotti.

Até hoje, o BB e a Petrobras não recuperaram o valor de mercado que tinham antes da intervenção na petroleira, o que deve diminuir os efeitos da saída dos assessores do banco do mercado.

“É possível que vejamos uma correção na segunda-feira, mas ela já está embutida no preço do banco. As estatais ficam mais descontadas por causa desses insultos que não fazem sentido ”, diz Alberto Amparo, analista da Suno.

O BB possui mais da metade dos financiamentos do agronegócio e mais de 20% dos depósitos à vista do país, mas é o mais desvalorizado entre os bancos em Bolsa.

“Esse desconto maior reflete a percepção de maior risco político para a instituição, que se intensificou neste ano, pelo temor de que venha a sofrer algum tipo de interferência do Estado que possa afetar negativamente seus resultados futuros”, afirma Paloma Brum, economista na Toro Investimentos.

Além disso, espera-se que o mercado reflita a forte criação de empregos nos Estados Unidos no pregão de segunda-feira. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (2), foram 916 mil novas vagas em março, resultado melhor do que os economistas esperavam.

“Há várias outras coisas acontecendo no mundo que afetarão a abertura do mercado na segunda-feira. Dito isso, o governo federal deve evitar tanta interferência nas estatais quanto é um vetor ruim para o risco Brasil no médio prazo, independentemente da reação de curto prazo dos preços ”, afirma Daniel Miraglia, economista-chefe do Grupo Integral .

“Acontece a interferência do governo nas empresas estatais e é uma ilusão pensar que vai deixar de existir. Mas, quando começa a incomodar os conselheiros e diretores é algo mais preocupante ”, afirma Marina Braga, analista de alocação da BlueTrade.

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