Revisão de ‘Pelé’: um tesouro nacional

Dentro de “Pelé” há dois documentários, o filme de David Tryhorn e Ben Nicholas sobre o fenômeno do futebol brasileiro. O principal deles é o levantamento estrelado das conquistas recordes de Pelé e da adulação nacional. Mas uma segunda história, mais séria, diminui gradativamente a temperatura da sala, uma vez que os militares brasileiros assumem o poder com violência em 1964 e mostram um interesse estratégico no “belo esporte”.

Os cineastas percorrem uma longa história, desde a derrota do Brasil em 1950 para o Uruguai na Copa do Mundo (quando Pelé, quando menino, disse ao pai que chorava que a conquistaria de volta) até o triunfo na final de 1970. Em uma entrevista recorrente, a lenda, agora com 80 anos, é genuína e diplomática após décadas de adoração como “o Rei”. Companheiros de equipe continuam apaixonados, jornalistas kibitz, e o cantor e compositor Gilberto Gil e o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, fazem análises pop.

Mas, ao ouvirmos o futebol repetidamente invocado como a força vital do senso de identidade do Brasil, um entrevistado se destaca: um ex-ministro do gabinete, Antônio Delfim Netto, que assinou o infame ato “AI-5” da ditadura institucionalizando a tortura e a censura. Os cineastas continuam sugerindo que o sucesso da seleção nacional se tornou parte da propaganda militar, e Pelé compartilha suas próprias reflexões cautelosas sobre a época.

O envolvimento da ditadura leva as pressões do jogo do campeonato a outro nível; Mais tarde, Pelé chamou a vitória na Copa do Mundo de 1970 simplesmente de um “alívio” Eu ansiava por ver mais de seus talentos em ação; seu gol de cabeça na final da Itália daquele ano parece cosmicamente libertador. Mas, por mais convencional que seja, o filme é perturbado pelos traumas do apogeu de Pelé.

Pele
Não avaliado. Em português, com legendas Duração: Duração: 1 hora 35 minutos. Assista na Netflix.

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