Solução da Queiroga para liberar leitos é difícil, dizem planos de saúde – 01/04/2021 – Painel SA

A solução sugerida pelo novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Senado, nesta semana, para solucionar a falta de vagas em hospitais – deslocando pacientes com planos de saúde que estão no SUS para instituições privadas – foi considerada inviável por empresas do setor no Brasil. condições atuais.

Segundo a Abramge (associação dos planos de saúde), a movimentação é difícil, pois, além de ter lotação em leitos privados, as operadoras não têm dados sobre a quantidade de clientes que estão na rede pública.

Marcos Novais, superintendente da Abramge, diz que os planos de saúde só recebem a informação de que um de seus clientes fez algum procedimento no SUS com um ano, ou mais, de atraso, quando o governo envia a conta para as empresas. “Não sabemos onde estão os beneficiários, nem se estão e quanto. Não temos esses números ”, diz ele.

Segundo Novais, a entidade tenta negociar a questão com o governo há pelo menos dez anos. Ele afirma que a notificação deve ser imediata, assim que o beneficiário entrar na rede pública, para que a operadora coloque uma unidade particular à disposição do paciente.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), porém, afirma que isso não é possível. “O ressarcimento ao SUS considera dados de faturamento referentes ao uso do sistema público, que é mais complexo do que uma simples identificação do uso do SUS pelo beneficiário de um plano de saúde”, diz a agência.

De acordo com a ANS, as secretarias de saúde encaminham os dados ao Ministério da Saúde, que consolida as informações e depois os disponibiliza ao órgão. Só então as operadoras são notificadas para pagar pelos serviços.

Outro desafio, segundo Abramge, é que os leitos privados de UTI também se encontram em situação crítica de ocupação no Brasil. “Estamos abrindo leitos. Não no ritmo que precisamos, mas no ritmo que a infraestrutura e a quantidade de profissionais permitem ”. Novais conta ainda que a rede privada tem leitos cedidos ao SUS há pelo menos um ano.

A ANS diz que vai analisar o assunto em reunião com o ministro.

A entidade afirma ainda que o beneficiário de um plano de saúde tem o direito de ser removido por sua operadora de uma unidade pública para um estabelecimento da rede credenciada.

“A operadora pode ser acionada pelo paciente ou por um familiar acompanhante ou pelo gerente do hospital público. Quanto antes essa comunicação for feita, mais rápida será a retirada ”, afirma.

Com Filipe oliveira, Andressa Motter e Paula Soprana

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